Pular para o conteúdo

Frase de Ana Gracia

​As coisas aqui sempre passaram rápido demais e longe do meu controle. A paisagem que eu vejo é só um vulto, não por que eu estou correndo por ela, mas por que ela está correndo por mim- ou de mim, ou para mim, ainda não consegui descobrir. E então você apareceu e toda a sua rapidez fez a minha paisagem se parecer com um quadro de biblioteca e os meus passos de leopardo se transformaram no caminhar de uma joaninha comparado ao correr frenético do seu relógio. Mas isso nunca pareceu te incomodar, você segurava a minha mão e apesar dos meus pensamentos seguirem o seu ritmo, minhas pernas se embolavam ao tentar te alcançar. Eu sempre pensei demais antes de agir e talvez isso tenha me tornado na covarde que você sabe que sou. Você também é um covarde, mas sua covardia nada tem a ver com pensar demais e agir pouco. Você age muito e tem medo de ser deixado sozinho na pista, dançando sem ninguém ao seu lado ou ao menos ouvindo a mesma música. Só que, meu bem, eu nunca aprendi a dançar a dois e a sua velocidade me fazia sentir que a música acabaria rápido demais. E se ainda me sobram 20 segundos, a você sobram 10 e mesmo com a minha covardia gritando para que eu saia da pista, meu corpo não obedece e minhas mãos ainda se enlaçam na sua.

Ana Gracia

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Ana Gracia

{...} Meu bem, é primavera dentro de mim e eu disse que te amo, mas você agiu como se fosse nada e eu percebi que as folhas secas e amarelas no meu coração são sua culpa. Você traz o outono e suas folhas mortas para meu ser primaveril. E eu te odeio por isso.
Continuar lendo

{...} Meu bem, é primavera dentro de mim e eu disse que te amo, mas você agiu como se fosse nada e eu percebi que as folhas secas e amarelas no meu coração são sua culpa. Você traz o outono e suas folhas mortas para meu ser primaveril. E eu te odeio por isso. Mas, o outono é tão belo. Ele traz um ar de calma, de que tudo vai acontecer, vai nascer e vai morrer, ele traz uma sensação de conforto. E junto com as folhas amarelas você traz tudo isso para o meu peito. E eu te amo por isso. Eu te mostrei todo o meu jardim, eu o entreguei de presente para que você pudesse escolher se continuaria cuidando deste ou o deixaria morrer. Mas você o matou só com o seu olhar. Matou. Queimou. Arruinou todas as rosas. Margaridas. Orquídeas. Girassóis. E eu? Eu chorei e usei as pétalas que restaram para escrever poemas que você não vai ler. Porém, no instante seguinte você me abraça; fala que me ama e eu não sei mais como interpretar isso. E mesmo contra a minha vontade, sinto sementes de flores desconhecidas sendo plantadas em meu peito.

Lista de como ir embora de uma vez: 1. Não se despeça. 2. Não diga adeus.
Continuar lendo

Lista de como ir embora de uma vez: 1. Não se despeça. 2. Não diga adeus. 3. Não escreva uma carta ou dê justificativas para alguém. 4. No dia seguinte não sinta culpa, só o alívio de se encontrar em paz consigo mesmo, sem ter vozes alheias atrapalhando sua conversa com si próprio. 5. Vá embora rápido, correndo e sem olhar para trás. 6. Não pense em voltar. 7. Não se preocupe em ligar. 8. Ou avisar que está indo, uma hora eles notarão e você já estará longe demais para que tentem te trazer de volta. 9. Um passo seguido por outro, vá embora. 10. Não acene. 11. Não mande beijos ou chore. 12. Vá embora com a certeza que não deveria mais continuar parada. 13. Vá embora com a certeza que não há motivos para ficar. Obs: E se caso você não cumpra qualquer um dos itens acima, talvez você não deva realmente ir embora.

​ A violência dos teus beijos Quanto mais se é difícil de esconder
Continuar lendo

​ A violência dos teus beijos Quanto mais se é difícil de esconder demonstra a necessidade de se mostrar Se o hematoma incha, ele precisa de cuidado Se a ferida seca, ela precisa ser esquecida Ignorar as manchas roxas só a farão durar mais Tirar as cascas da ferida e cutuca-lá, só fará inflamar Eu aceitei em silêncio todas as pancadas dos teus beijos em mim Os seus olhares que me deixavam tonta e seus lábios que mantinham minha pele roxa e inchada Então você partiu e abriu um corte um corte entre nós e um corte na minha pele e eu cutuquei esse corte o inflamei, infectei Todas as vezes que sarava arrancava a casquinha Eu não queria te deixar ir Me apaguei demais as marcas que deixava em mim Só não percebi que toda vez que reabria a ferida não era a sua marca que era refeita Era eu mesma Aumentando e alastrando minhas feridas antigas

​ Ela me disse que sua cor favorita era laranja e eu quis transformar o universo todo em tons laranja. Quis fazer um dia inteiro de pôr-do-sol e uma semana toda só com o sol nascendo.
Continuar lendo

​ Ela me disse que sua cor favorita era laranja e eu quis transformar o universo todo em tons laranja. Quis fazer um dia inteiro de pôr-do-sol e uma semana toda só com o sol nascendo. Quis tornar do mel o doce mais visto na boca das crianças. Quis fazer da abóbora o fruto proibido de Adão e Eva e eleger a laranja como fruta mais saborosa do mundo. Desejei que Mao Tse-Tung tivesse escrito o livro laranja, e não vermelho, que o Toda Poesia do Leminski virasse a nova Bíblia. Desejei mil e uma coisas, para ver se desse modo ela desejava um pouco mais a minha alma, que não é laranja. É roxa, como uma uva, como o sangue estancado de uma pancada, como um rosto sufocado sem ar.