Frase de Augusto Galia Fernandes
Digressão Estou envelhecido de viver. – Para mim, a vida basta! A minha alma é um relógio sem cordas Cuja única função é a de marcar lamentações Semelhante a um cachorro, repouso ao pé da cama Deitado, eu ouço a chuva como quem ouve a um trovão Todo homem deveria ter a sensibilidade auditiva de um cachorro. Certa vez, conheci um homem que me ensinou sobre a velhice Por horas, tentou convencer-me de que era bom envelhecer Eu dizia-lhe: Desejo viver até os meus setenta anos e me basta! Viver até os setenta é doloroso, quando se tem sessenta e três. Desejar isto aos vinte e seis é simples! – Tudo é filosófico. Se eu tivesse uma filosofia de vida: Seria a de não ser filósofo. Faria tudo pela aptidão de não se ter instinto algum. Impulsionei-me para a inspiração de nunca se ter sido nada. Por isto nunca tive nada e para todos sempre tive o que não tinha. Mas quando precisei do que não tinha: Abandonaram-me. Tenho sido eu um declínio temporal de idéias! Tenho andado na mesma direção que circula a moral E tenho circulado na mesma direção aonde se perde a razão. Sou um barco resignado, olvidado ao mar. Perculso pelo vento: Sempre a seguir! Entregando-se por completo ao nada Esquerda – Direita! – Avante! Navego como o tempo em minha vida. A que preço estaria eu liberto? Deixo-me quedar-se na beleza de quem não sou. Enquanto as minhas flores embelezam a morte. Eu me embelezo na vida distraída de tudo quanto amei. Sempre sozinho: Familiares? – Nunca soube o que é isto. O meu espírito esta perculso e a minha alma conspurcada. A certa altura, depois de muito sacudir. Desço da cadeira e decido partir para o universo. Levo comigo alguns versos, que não são versos. E antigas idéias de se construir novos versos.
No pensador.ai desde