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Frase de Bruna Marquezan Silv

Meus pecados Eu nunca imaginei que uma noite tão perfeita pudesse começar com uma taça de vinho. Bebemos ao som de nossas músicas favoritas, sentados frente a frente num sofá que mal cabia nós dois, embalados pelo olhar um do outro e sem nos darmos conta de que não tínhamos brindado. Que pecado perder a chance de brindar a nossa vida. Que pecado não ter usado aquele vestido vermelho que você gosta tanto. Que pecado você ter me ganhado tão depressa. Mas foram estes pecados que contradisseram os limites da criação e me trouxeram ao paraíso desta madrugada que acaba de começar. Enquanto você dorme ao meu lado, eu me recuso a fechar os olhos. O silêncio da noite me permite ouvir sua respiração, ora lenta, ora apressada, e me lembra de que essa mudança de ritmo nos acompanha em tudo: nos beijos, nas brigas, nas tardes de caminhada, e até nas músicas que a gente gosta de dançar mesmo sendo péssimos em matéria de expressão corporal. Reparo que você quase não se movimenta pela cama e que não fez questão de virar pro outro lado; logo me ocorre que você talvez saiba que eu estou te observando e queira contribuir com minha doce redenção, mas minhas suspeitas caem por terra quando você murmura algo que eu não consigo entender e puxa o cobertor pra mais perto de si. Fosse eu essa manta velha e me atreveria e roubar um beijo seu. Mas essa manta nunca vai te ter como eu te tenho. Ela nunca vai ver você sorrir enquanto dorme como eu estou vendo agora. Me pergunto se é comigo que está sonhando. Talvez, no seu sonho, é você quem me observa dormir. Mas eu continuo acordada. Não posso perder nenhum momento do seu sono. Queria viver essa noite pro resto da minha vida, deitada ao seu lado e sentindo seu coração bater. Que pena que o tempo não ouve o meu clamor, já está amanhecendo e a sensação que eu tenho é de que esta madrugada durou apenas 10 minutos. Eu ficaria aqui pelo resto dos meus dias, juro. Sei que jurar é um erro, mas são os pequenos pecados que vez ou outra me proporcionam esses 10 minutos com você.

Bruna Marquezan Silv

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Armadilha Um choro silencioso na cozinha Você a dois passos de mim
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Armadilha Um choro silencioso na cozinha Você a dois passos de mim Mas a distância emocional que nos separa é tal qual o espaço entre os dois trópicos da Terra. Você, trópico de Câncer, clima seco, terra firme, grandes desertos. Olhar de quem sabe que domina sem precisar se esforçar muito pra isso. Eu, Capricórnio, chuvas, sol e calor, florestas e savanas. Entrega de alguém que não tem luz própria. Fotossíntese sempre foi o meu forte. Você é meu sol, estrela inconstante, distração brilhante que me faz voltar pra casa. Eu voltei, mas era uma armadilha. Nessa casa, nessa cozinha Estou com você e estou sozinha Te vejo apagar o cigarro, pressionando-o contra o cinzeiro. O mesmo fez comigo. Só restam as cinzas. O pior é que sempre conheci suas artimanhas. Sabia que era um golpe e me permiti cair. E mais ainda: não me arrependo, porque parece que me vale o sofrimento quando te ouço mentir que me ama. Você continua me olhando em silêncio, gelando-me a face com os olhos, enquanto eu, covarde, prefiro não encontrar os teus. Medo doentio que me impede de reagir a você. Seus lábios, como que lendo meus pensamentos e ainda soltando a fumaça do cigarro que acabara de morrer, balbuciam que seu amor é verdadeiro como quem diz o preço de um produto do supermercado. Mentira. Você mente, eu acredito. Então, diminuindo a distância entre os trópicos, eu cruzo a linha do Equador e te abraço, envolvendo meus braços quentes em seus ombros congelantes. Eclipse total. Você me escurece, mesmo assim, eu permaneço. E ainda não terminei de cair em sua armadilha.

Mudar de ideia Bebemos a última taça de vinho. Tarde da noite, os convidados já estão indo embora, mas eu teimo em ficar um pouco mais. Quero sutilmente olhar nos seus olhos e tentar responder a algumas perguntas que me dominam a mente. - Já é tarde e ele precisa dormir- diz min…
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Mudar de ideia Bebemos a última taça de vinho. Tarde da noite, os convidados já estão indo embora, mas eu teimo em ficar um pouco mais. Quero sutilmente olhar nos seus olhos e tentar responder a algumas perguntas que me dominam a mente. - Já é tarde e ele precisa dormir- diz minha consicência. Eu me despeço de você, e meus pés caminham até a porta, ouvindo uma razão que eu insisto em ignorar. Não quero ir embora. As memórias roubam o espaço do turbilhão de pensamentos que me fazem companhia nesta noite... o seu riso exagerado das piadas sem graça dos seus amigos, a alegria em receber cada um deles na sua casa, o olhar curioso que você sempre me dirige, e por fim, a lembrança mais especial que tenho de hoje: eu te tomei em meus braços e dançamos ao som imaginário de uma orquestra. Acabei descobrindo que você é um ótimo dançarino. Eu queria ter dançado a noite toda, só pra sentir a sua mão entrelaçada à minha, nossos corpos tão próximos, a batida mágica do seu coração. E após a dança, tiramos fotos que estamparam a felicidade que você me causa. Nunca me senti assim antes. Com ninguém. Afinal, somos amigos ou mais que isso? Por favor, me responda a pergunta que em silêncio te faço. Estou indo embora, mas se seu coração deseja o meu assim como minha boca ardentemente pede pela sua, eu vou mudar de ideia.

Vem, chega mais perto Vem, chega mais perto. Tira o casaco, tá calor. Pode colocar na maçaneta da porta.
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Vem, chega mais perto Vem, chega mais perto. Tira o casaco, tá calor. Pode colocar na maçaneta da porta. Senta, fica à vontade, não repara a bagunça. Aceita uma água? Um refresco? Quer um cafezinho? Acabei de passar. Vem, chega mais perto. Eu não mordo. Eu beijo, abraço e faço cafuné. Faço pilates e dança do ventre. Também faço frango e lasanha de carne. Faço a unha e massagem no pé. Faço charme e faço amor. Vem, chega mais perto. Que prazer te conhecer! Você é diferente e tão igual ao mesmo tempo. É doce, é astuto. Tem segredos e verdades. Você é um mistério fascinante. Fala tudo e ao mesmo tempo não diz nada. Já começo a sentir medo de você. Medo de ser só um passo fora. Alguém que entra, toma uma água e logo diz que tem que ir. Fica mais um pouco, vai? Vem, chega mais perto. Olha só minhas mãos trêmulas Pode tocá-las, elas esperam por isso Pode até dar um beijo se quiser Olha só o meu sorriso, ele é dado por você Pode sorrir de volta que eu vou adorar Pode dar um beijinho também Pode se apaixonar, eu deixo. Vem, chega mais perto.

No silêncio do meu quarto É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras. Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre.
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No silêncio do meu quarto É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras. Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre. Sou um romantismo em botão. Tenho alma de poeta clássico e coração de donzela sonhadora. Conheço os doces e amargos do sentimentalismo nato, e já fui provedora de todos eles. E também, vez ou outra, quando me abasta a solidão cabível ao pungente e lascivo transcorrer do tempo, eu me ponho a combinar palavras, formar versos, montar textos que quiçá traduzam o que sinto. Tenho no papel um confidente perfeito, com quem compartilho angústias e alegrias sem medo de ser subjugada. Ele apenas retém os meus sentidos, e isso já me basta. Quero fazer conhecer a quem, um dia, porventura, venha ser leitor de meus escritos, que sou a mais sensível e suave das mulheres, me desmancho pelo toque, me recomponho pelo olhar, sou artista e plateia ao mesmo tempo; amante e amada. Recebi do Criador a aflitiva missão de apenas amar, e dela não me queixo, nem me seria digno apontar um quê de reclamação. É doce morrer de amor.