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Frase de Moisés Bentes

Parte de Mim que Morreu Há uma parte de mim, um mistério, impropério em mim que me flui como água, onde o teu corpo nada e acaba se misturando ao meu. Há um bocado de mim, multidão, uma confusão em mim protestando pelas praças, deixando um eco por onde passa; por causa do teu adeus. E não há sentido maior; não há covardia maior. do que se esconder em palavras, mas quando os gestos viram farsas não há nada mais vivo que o amor que morreu.

Moisés Bentes

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Pensador.com

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Saudade que Ficou Se os seus olhos pudessem ver os meus olhos Certamente choraria, certamente entenderia. Nada passa dos dias em que viveu por perto E ainda vive aqui, enraizado em mim. Nunca me deixou para trás, Mesmo quando a guerra já estava perdida. Nunca se mostrou incapaz, Mesmo quando minhas verdades[ eram uma grande mentira.] Nunca deixou de semear girassóis, Ainda que eu escolhesse andar por campos de sal. Nunca ignorou a minha incompreensível voz E sempre conseguiu me fazer pintar o bem[ da mais espessa sombra do mal.] Se saudade é amor que fica, Onde ficou a alegria?

Primavera de Viena Já tive um punhado de sentimentos, De tormentos, dividendos, mas que pena
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Primavera de Viena Já tive um punhado de sentimentos, De tormentos, dividendos, mas que pena Não soube combiná-los, Desmembrá-los, apagá-los de cena E perdi a amena primavera de Viena. No olhar ficou, o cansaço brotou E roubou a tristeza que valia a pena Deixando na cabeça a gota serena Um vadio coração vazio de luar. E esperei até cansar... Esperei tanto que já nem sei O quanto era fácil ser um sujeito malácio, Esquecer que apenas não passo De um possível vicio devasso.

Tic-Tac Olha, quebrando o relógio,
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Tic-Tac Olha, quebrando o relógio, Picotando o crachá. Apagando o episódio, Indo pra cama deitar. Quebrando o relógio, Fugindo de lá pra cá. E o que tiver de ser – será? E o que tiver de ter – vai lá. Não existe mais, Não esqueça, amanhã é terça E o tic-tac ficou para trás. Colha o quebrado relógio, O picotado crachá. O chato episódio, Traz de volta pra cá. É o bendito relógio Que vai despertar. Ou vão correr por aí; Onde vão parar? Quando saírem daqui, Os que sabem cantar. Todos de mãos dadas Mas nada a declarar; É um conto de fadas Que inventaram contar.