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Frase de Agilson Cerqueira

Epoché Agilson Cerqueira Recolher-se não é simplesmente afastar-se do mundo, mas suspender, ainda que provisoriamente, o regime de evidências que o mundo impõe. É um gesto de interrupção. Um desacordo silencioso com a pressa das coisas, com a necessidade constante de responder, agir, significar. Ao voltar-se para dentro, não se encontra um refúgio estático, mas um campo em permanente elaboração. A consciência, longe de ser um recipiente passivo, revela-se como um espaço onde o pensamento se forma e se desfaz antes mesmo de adquirir linguagem. Escutar esse movimento exige mais do que atenção: exige desaceleração. O ruído exterior — vozes, tempo, acontecimentos — não desaparece; ele apenas perde centralidade. O que se desloca é o eixo da experiência. E nesse deslocamento, o silêncio deixa de ser ausência para se tornar condição. Não um vazio, mas uma presença não ocupada. É nesse ponto que algo decisivo se insinua: a percepção de que a interioridade não é um lugar, mas um processo. Um caminho que não se percorre avançando, mas suspendendo. E que só se revela à medida que o sujeito abdica da urgência de compreender. Assim, o recolhimento não conduz a respostas, mas a uma outra forma de relação com o desconhecido — mais próxima da escuta do que da interpretação, mais próxima da presença do que da definição. E talvez seja nesse estado, rarefeito e atento, que a maturidade racional — se assim podemos nomeá-la — encontre não um destino, mas a possibilidade de continuar se desvelando.

Agilson Cerqueira

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Pensador.com

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MANDACARUS DO MEU JARDIM Agilson Cerqueira Quando o mandacaru floresce, Todos nós ficamos cheios de alegria, Pois há poesia no nordeste. É uma flor de um dia, Mas é a certeza da beleza por um dia! A flor do mandacaru Desafia a todos por um sorriso, Ainda que seja timido, Pois, o mandacaru em flor, É a flor da alegria, com sua flor de um dia. Os mandacarus do meu jardim Vão florescer por mais dias, Não sei se sorrirei, Mas os mandacarus do meu jardim Vão florescer por mais tempo, Aguardando o meu Tempo de sorrir!

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Disciplina do Breve Agilson Cerqueira Na vida efêmera, o mundo imenso fica, Portanto, deixarei o norte em cada frase dita. Limpe os sapatos, firme o passo ao chão, Lace o cadarço com a própria mão. Entenda a moda como um surto passageiro, E no suor do rosto, encontre o seu dinheiro. Domine a mente, o medo a ansiedade, Compre apenas o que for necessidade. Aprenda o fogo, o tempero e a cozinha, Cuide do espaço, pois a paz é sua e é minha. Se algo quebrar, não jogue fora, tente o conserto, Cuide dos seus resíduos, não deixe o mundo pelo avesso. Dê de comer aos animais, estude o pensamento, Plante o saber, espalhe o conhecimento. No altar da paciência, aprenda a esperar, E seja seletivo no que deixa à porta entrar. Mantenha o controle do que está ao seu redor, Mas guarde o silêncio, pois assim é o certo e melhor. Se a vida mudar e o padrão se transformar, Seja fibra que se dobra, mas não vai quebrar. Ter é desejo, mas ser é fundamento, Controle a urgência de cada momento. O mundo continua sua marcha sempre presente, Mas o que eu deixarei, viverá dentro de ti firme e consciente

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O Labirinto do Pensar e o Vazio do Ter Agilson Cerqueira As decepções, em sua marcha lenta, vão desbotando o nosso romantismo até que reste apenas o esqueleto da realidade. Vivemos engolidos por uma luta diária que não nos concede o privilégio das horas; passamos uns pelos outros como vultos despercebidos e estranhos em uma multidão. No fim, você acaba se tornando o produto exato da insignificância daquilo que escolhe significar, enquanto busca, tateando no escuro, respostas que o mundo esqueceu de formular. Talvez a lucidez seja um fardo pesado demais, e por isso todos deveríamos nos permitir o desvario — embriagar a alma duas, três ou inúmeras vezes, até sermos apenas o "bêbado conhecido" que habita as esquinas do próprio ser. Afinal, o pensamento é uma criatura que nasce do ócio, e sem o tempo vazio para o florescer das ideias, somos meros subprodutos de uma ignorância consequente. Às vezes, o peso é tanto que me debruço sobre os absurdos do meu próprio "eu", isolando-me em um exílio onde as perguntas não encontram eco. Ali, o espelho não mente: você é, apenas e irremediavelmente, você. Contudo, mesmo nesse mergulho intrínseco, a pluralidade nos persegue; o "nós" nasce desse singular ferido, e a vida insiste em nos lembrar que não se caminha só. O perigo se apresenta quando o pensamento se torna um espelho narcísico; quando o desejo de "ter" para "poder" sufoca a coragem de simplesmente "ser", revelando a mediocridade de quem vive para a vitrine. Entenda: se você ousa pensar, você inevitavelmente incomoda a ordem das coisas. Vivemos tempos aflitos, onde o pensamento parece ter perdido o caminho para o cérebro, deixando-nos à deriva entre o poder e o existir. Diante das incertezas, escolha a lógica do absurdo que preserva a sua essência, mas nunca deixa de habitar-se. Agilson Cerqueira

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Açaimei-me Agilson Cerqueira Não me acontecem epifanias. Não há clarões, nem súbitas compreensões que reorganizem o mundo. O que há é a permanência — sólida, repetida — da estupidez. Ela se infiltra nas falas, nas certezas, nos gestos automáticos. Diante disso, não argumento, não confronto, não elaboro. Reduzo-me ao essencial: calo. Não por sabedoria, mas por economia. Não por virtude, mas por recusa.