Frase de Alessandro Teodoro
Num país com a mesma quantidade de especialistas que problemas, os Cheios de Certezas preferem aumentar o tom que os Argumentos. Talvez porque argumentos exigem muito trabalho. Exigem escuta, leitura, dúvida, revisão de rota… Exigem a humildade intelectual de admitir que a realidade é mais complexa do que os slogans que cabem em um comentário de rede social ou em uma breve conversa. A “certeza absoluta”, por outro lado, é bastante confortável. Ela dispensa perguntas. Não precisa de evidências quando já decidiu suas conclusões antes mesmo de conhecer os fatos. Quem está cheio de certezas muito raramente procura compreender; quase sempre procura vencer. Vivemos tempos em que a opinião apressada vale mais do que a reflexão paciente. Antes que um problema seja entendido, já existem milhares de diagnósticos. Antes que uma pergunta seja formulada corretamente, já há filas de especialistas improvisados oferecendo respostas definitivas. E quanto mais complexa a questão, mais simples e categórica costuma ser a explicação apresentada. Nesse cenário, a dúvida passou a ser confundida com fraqueza. Mudar de ideia virou sinal de incoerência. Reconhecer limites no próprio conhecimento parece menos admirável do que sustentar convicções inabaláveis, mesmo quando elas colidem com a realidade. Mas o progresso humano nunca foi construído pela arrogância das respostas à pronta entrega. Foi construído pela coragem de questionar, testar, errar e aprender. A ciência avança assim. A maturidade também. E as sociedades mais saudáveis são aquelas que valorizam mais a qualidade das perguntas do que o tom das respostas. Talvez o verdadeiro especialista não seja aquele que tem resposta para tudo, mas aquele que sabe distinguir o que conhece do que apenas acredita conhecer. Porque entre a ignorância assumida e a certeza infundada, a segunda costuma causar muito mais estragos. Num país abarrotado de especialistas em quase tudo, a sabedoria continua sendo um recurso muito raro: a capacidade de ouvir antes de concluir, de pensar antes de reagir e de admitir que, às vezes, a frase mais inteligente da conversa ainda é: “Eu posso estar errado.”
No pensador.ai desde