Frase de Marcelo Lima
Comecei a sentir algo que eu jurava não morar em mim. A inveja chegou mansa, sem barulho, mas fez morada no peito. Não é do riso fácil dos casais de agora, nem das fotos prontas, nem do amor que parece simples. É da história. Do caminho inteiro. Do que foi construído com o tempo e não apesar dele. Invejo mulheres que ficaram. Que olharam as falhas de perto, os defeitos sem filtro, as limitações nuas e mesmo assim permaneceram. Mulheres que escolheram ficar quando ir embora parecia mais fácil. Que lutaram não por perfeição, mas por compromisso. Que amaram não o homem ideal, mas o homem real. Isso me toca fundo. Porque revela um amor raro, o amor que decide. Que não romantiza, não foge, não solta a mão quando pesa. Essa inveja não quer o que é do outro. Ela chora o que faltou em mim. É a vontade de ter sido escolhido nos dias bons e principalmente, nos dias difíceis. No fim, não é sobre eles. É sobre a ausência que ficou. Sobre a falta que insiste. Sobre o valor imenso de quem permanece, de quem luta e não desiste na adversidade.
No pensador.ai desde