Frase de Fatima Mileo
Posso até escolher meu caminho, Mas será que ele já não estava escrito?
No pensador.ai desde
Posso até escolher meu caminho, Mas será que ele já não estava escrito?
No pensador.ai desde
Que medidas teremos nós? nos amamos a contar garrafas náufragas, que de milhões existirem quiçá, uma encontrada,
Que medidas teremos nós? nos amamos a contar garrafas náufragas, que de milhões existirem quiçá, uma encontrada, e de amor perdida? Ou quem sabe como a fome dos filhotes ao ninho, que se abrem para receber o alimento, as bocas, as asas, e esperam o último aconchego do último raio de sol? ou quem sabe, a medida dos ansiosos ao cais, na espera de um aceno, que chegue ou que parta, mas que lhes dê a emoção do instante? Saberemos nós se nossa medida não se compara, às pernas da atleta, que se desmancha em contorções e espasmos, reluta em desistir, e tira seu último fôlego, último lático para que viva um instante de superação, que lembrado será pelo resto de sua vida, como seu ato mais audaz? Ou seremos peixes, que nadam à procura de alimento nos rios diversos de nós, a encarar correntezas para que procriem, e possuam tantas belezas e faces, que nem se sabe ao certo que matizes imensuráveis os colore? Ah, quem sabe seremos raízes, que se transformam ao serem colhidas, e se submetem a processos dolorosos, apenas para que o homem a chame de "comer", e nem dê bola para o tempo em que ficou a crescer abundantemente , para depois ser arrancada, descascada, moída e transformada em pó, por amor? Ah, talvez quem sabe nossa medida, é a certeza dos enamorados, quando chegam os bilhetes às escondidas, num possível encontro, onde às escondidas, juram que se amam, e lutam até que o sol possa acolhê-los e lhe dar boas vindas....? Até podemos ter a medida dos pés descalços que se agregam em romaria aos pés dos santos, em peregrinação, a quem espera o milagre, o de receber amor em devoção? Teremos nós, a medida de quem costura, milimétrica, certa, justa ao corpo, a roupa que veste os insanos e os reis? Ou quem sabe poetas, a medida do verso, da língua, torpe, escrachada, bela, lúdica e metafórica, mas que exprima todo sabor de se escrever, os mais deleitosos versos de amor, ou a mais fétida realidade? Poderemos também ser a medida de nós, presentes, ausentes, extrapolando conceitos, desvirtuando o destino, acariciando os sonhos do começo, sem quebras, sem dobras, amassados caminhos, apenas a alegria do amor em nós? Acho que te amo, na medida do meu abraço acho que me amas, na medida do teu sonho te amo sem medir todas as medidas me amas me medindo aos olhos, somente Nos amamos aos risos que nos felicitam prenúncio de amor de um amor que ao medir com o mundo parece imenso... surge, enrosca, despe, passeia, tritura, forja, embala, come, alimenta, escreve, viaja, chega, sai, insano, real, Mas acima de tudo nos amamos medidas em nós, da ponta dos sonhos, até a boca q se abre em beijos!!
Não tenho senão a saliva à boca Na língua, a palavra que fugiu soluço Entrepostos, nos meios de mim, estão os armazenados sentidos
Não tenho senão a saliva à boca Na língua, a palavra que fugiu soluço Entrepostos, nos meios de mim, estão os armazenados sentidos Como folhados, me dobram às postas, e me ungem Para que não me trinque.. Soterro às custas de mim, todo aquele percurso No qual passei sem deixar meus sapatos Nem virei o rosto para ver as solas no chão Contento-me com o desalinhar de cabelos que me presenteia o vento Como quando choro, e reviro a alma do avesso Para me sentir livre, do excesso de mim Às vezes versejo, tornando meu fruto acessível à boca E mordo palavras Machuco o verso Torço a rima Me espremo numa fresta onde só passa o vento Que não desalinha meu cabelo, mas me toca o riso E quando transponho todos os meus medos Frestas Ventos Caminhos.... Me dou conta do outro lado... É que virei a página de mim!
Hoje lendo algumas coisas sobre ensaios poéticos pensei em como são especiais, os poetas. Tentando entender como é possível, sensibilidade exalante, jeito mágico com jogo das palavras. Às vezes nos parece impossível, tamanho olhar, que enxergou a beleza bruta do seu
Hoje lendo algumas coisas sobre ensaios poéticos pensei em como são especiais, os poetas. Tentando entender como é possível, sensibilidade exalante, jeito mágico com jogo das palavras. Às vezes nos parece impossível, tamanho olhar, que enxergou a beleza bruta do seu significar, e que ousa com uma palavra, nos deixar mudos. Hilda Hilst disse- "A vida é líquida!" - fiquei um dia inteiro pensando, porque eu concordava tanto..sim, a vida é líquida! Como não me dei conta ? Quem,não pára e pensa diante de tal afirmação? Eis a função da poesia, penso. Nos fazer donos dos versos, sentir o poeta, e podemos fazer isso apenas nos deixando levar por palavras.... Ao poeta cabe o processo doloroso de parir poesia!. Não existe gestação poética..há o parto na hora da concepção.. De algum lugar íntimo, foge e grita, como quando Chico Buarque canta "..se na bagunça do teu coração meu sanque errou de veia e se perdeu."..ou.."morreu na contramão atrapalhando o tráfego..", que concebo hora de amor, hora de dor... A poesia não se importa ..está apta, porque comporta todas as emoções, apenas procura suas frestas..como Hilda, Chico e muitos mais que se deixam possuir, pra poder parir, no mesmo ato! Assim ela transita soberana sobre nossas emoções, nos faz ávidos, nos faz pensadores de nós, até de que, também, podemos ser poetas.....afinal,cabe tanta vida na poesia... Só temos que achar o (re)verso!
Aprendí que silenciar é mais que ficar calada!