Pular para o conteúdo

Frase de Carlos de Castro

TRISTEZA ⁠Hoje, não estou triste. De que vale a tristeza Se ela já existe Na correnteza Da vida em riste? Vá, gostariam, Preferiam, Que eu fosse Homem de ardileza? De que vale a tristeza Se a vida é certeza De uma incerteza Atroz? Por nós E por mim, Ainda assim E pelo meu fadário Eu viro a tristeza ao contrário, E antecipo-lhe o fim. E se ela me perseguir No cimo do meu calvário: Vou-me rir Tanto, tanto, Como se fosse um pranto Tornado falsário. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 19-03-2023)

Carlos de Castro

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Carlos de Castro

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
Continuar lendo

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
Continuar lendo

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)