Frase de Alessandro Teodoro
Relativizar qualquer mau comportamento de quem desonra o Braço Armado do Estado só ajuda a desonrá-lo ainda mais. Há uma linha tênue — e muito perigosa — entre defender instituições e blindar desvios. Quando essa linha é ultrapassada, o que deveria ser sustentáculo da ordem, passa a carregar o peso da desconfiança. Não é a Crítica que enfraquece uma Instituição; é a Conivência Silenciosa com aquilo que a corrói por dentro. Parte da sociedade, movida por medo, gratidão ou paixão, insiste em transformar indivíduos em símbolos incontestáveis. É preciso se desapaixonar, rever conceitos e parar de defender policiais cegamente, como se toda a instituição fosse sinônimo de idoneidade. Porque instituições não são feitas de mitos — são feitas de pessoas. E pessoas erram, abusam, desviam… Negar isso não fortalece a autoridade; ao contrário, fragiliza sua legitimidade. Defender cegamente qualquer agente apenas por vestir uma farda é substituir o compromisso com a justiça por um tipo de lealdade emocional que ignora princípios. E quando a defesa deixa de ser baseada em valores para se apoiar em identidade, abre-se espaço sem precedentes para a distorção: o erro vira exceção tolerável, o abuso vira “caso isolado” recorrente, e a crítica vira ataque. Desapaixonar-se, nesse contexto, não é abandonar — é amadurecer. É compreender que respeitar uma instituição implica exigir dela aquilo que a justifica: integridade, responsabilidade e coerência. Não se trata de demonizar, mas de recusar a idolatria que impede o aprimoramento. Porque, no fim, proteger o que é justo exige coragem para confrontar o que não é — especialmente quando vem de quem deveria dar o Exemplo. E nenhuma instituição se sustenta por aplausos incondicionais, mas pela capacidade de reconhecer suas falhas e corrigi-las antes que se tornem sua própria ruína.
No pensador.ai desde