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Frase de Nerisírley Barreira do Nascimento

Cristianismo não é religião! Quando estive pela primeira vez em Israel uma das coisas que mais foram espantosas para uma teóloga especializada em Arqueologia Bíblica como eu foi o lugar onde o Messias começou o Seu Ministério: _ Às portas de um Templo de Baco! **** Sim, um Templo ao deus Baco. O deus do vinho. Um típico lugar para deixar qualquer clube de swing do século XXI com as bochechas vermelhas. Mas foi num lugar assim, que Ele começou a espalhar uma palavra de Paz, Esperança, Fé e apresentar um Deus PAI. O que já cogitava em pena de morte na Lei Judaica _ Torá _. **** Vamos entender o contexto da época. Um Israel invadido. Dominado por um povo duro e nada afeito a abstrabilidade do Deus dos Hebreus. Este povo de uma rígida Lei, inclusive em aspectos sanitários, tendo de conviver a força com estranhos em seu território. E ainda pagando impostos para viver em sua terra. Havia uma eclosão de indignação entre os judeus. E para continuar Roma tinha aberto suas estradas passando por Jerusalém. A cidade sagrada, passou a ser uma rota de comerciantes e de exércitos. O país já era helenizado, por causa de sucessivas invasões persas, gregas, etc. Os deuses gregos como a Filosofia Grega estavam lá. Os hebreus falavam o hebraico, o grego simples _ Kairós _ o grego formal, o aramaico e ainda o Latim dos romanos. Até que isso não mudou muito por lá, hoje eles falam no mínimo três línguas desde crianças. **** Mas era uma época de revolta tanto a costumes estrangeiros, como ao abuso destes sobre o povo. Assim, antropologicamente, o amor, piedade e adoração a um Deus invisível; foi entrando na armadilha emocional da amargura social. A Lei foi deixada de lado em favor de um pragmatismo político-religioso. O importante era a libertação dos judeus de qualquer outro povo. E principalmente Roma. Talvez o mesmo sentimento de revolta que aos poucos vira amargura no brasileiro de 2016, tornando-o num povo doente. O Brasil hoje de acordo com a Organização Mundial de Saúde _OMS_ é o país que mais faz uso do Rivotril no mundo. **** De repente aparece um Rei que vem do povo, que não era um homem bonito, porque a Bíblia relata que ele não seria um homem belo. Simples, mas de inteligência extrema com uma mensagem de libertação. Mas de libertação de conceitos e dogmas pessoais. Não um libertador com um exército que salvaria o povo das garras dos romanos. Nenhum homem branco, de olhos claros, alto e forte. Mas alguém provavelmente baixo, pardo e de feições nada agradáveis. **** Uma coisa que chama a atenção nesse processo é que Deus não é concreto, por isso, era básico entender que o Libertador também viesse com uma mensagem nada concreta. Incluindo nisto todos os livros proféticos que relatavam como ele seria e que tipo de libertação ele traria. **** Porém já era demasiado Jesus o Cristo, ter desafiado a Lei Judaica tornando-se Ele mesmo o porquê da Lei. O Próprio serviu-se de espelho para os políticos e poderosos em sua época. Ao apontar o dedo e chamá-los de hipócritas na frente de todos. **** O sobrenatural é o que Ele trouxe. A GRAÇA. Um ensinamento simples, e olha que Eisten dizia que “fazer o simples é sempre mais difícil” , mas um ensinamento totalmente reflexivo. Em que o tempo todo nos coloca em xeque. Estou certa ou estou errada? Estou conseguindo me colocar no lugar da outra pessoa, ou estou pensando em mim? Eu posso julgar alguém? Passei o que ela passou? Vivi o que ela viveu? E ao julgar? Não estou tentando usurpar o lugar de Deus porque somente Ele é onisciente? Eu não vivi nem o que o meu pai ou minha mãe viveram, como posso me colocar no lugar do outro? E a resposta é de uma simplicidade aguda diante do universo que separa uma pessoa de outro ser. Vou deixar para o leitor busca-la. **** E a Graça vai a um ponto que ultrapassa o natural, a nossa natureza de três dimensões. A Graça é algo que não merecemos, não temos direito e nem podemos reivindicar. Entretanto, recebemos até sem pedirmos. É a imortalidade da alma pela Lógica da Cruz , o Antigo Testamento aponta o tempo inteiro que “sem derramamento de sangue, não há expiação de pecados” . Porém se um homem totalmente sem erros. Ele se faz expiação . Abre-se um novo precedente. O salário do pecado é a morte, mas alguém sem pecado, não poderia morrer. Porém morre assassinado. Logo, foi quebrada a Lei, daí a rachadura na espessa cortina do Templo e o terremoto que abalou a Terra no momento da morte Dele. **** A Lei estava errada? **** _ Não! Ela era a preparação para a vinda da Era da Graça. Assim como essa Era que vivemos é a preparação para a próxima e muito próxima que está a vir. **** A Lei foi uma Era, agora estamos sobre outra. E o Cristianismo está longe de ser uma religião, cheia de pragmatismo e dogmas. O cristão verdadeiro está sempre pronto para estar errado e para pedir perdão. Não tem o direito de ser melhor que ninguém porque admitiu ter recebido algo que não era de direito dele. A Graça de uma vida imaterial. Sempre será mais fácil personalidades insatisfeitas, questionadoras ou propensas a amar e compreender a dimensão invisível do cristianismo. **** Houve uma abertura através de uma morte horrenda . Uma ligação para Deus direta, sem indulgências, sem sacrifícios, sem ofertas em dinheiro e outras coisas do tipo. Mas um estilo de vida onde o amor é o objetivo. Mais que um sentimento, ele é uma atitude de vida. Portanto, a Ética Cristã não é pragmática, muito menos dogmática, litúrgica ou cheia de rituais. É totalmente diferente. Por que não é a ética justamente um conjunto de ações? Como a Constituição Brasileira? **** O cristianismo é uma prática de vida. Quando uma pessoa ora e sente a presença do Espírito de Deus. Quando alguém conversa com Deus e o chama de Pai. Quando um empresário da construção resolve não fazer um empreendimento porque este vai danificar uma parte da cidade. Quando se para ajudar um estranho. Quando nos colocamos no lugar da outra pessoa. Quando perdoamos e quando somos perdoados. Isso é cristianismo. O resto é invenção humana. **** Para não dizer que fui muito “professoral” vou deixar uma facilidade: _Mostra-me a tua fé que eu te mostrarei as minhas obras. _ Livro de Tiago, capítulo 2, versículo 18. 04/08/2016

Nerisírley Barreira do Nascimento

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Pensador.com

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O doce amargo sabor da bela adormecida Era uma vez uma moça, no estilo dos sonhos norte-americanos. Loira, de longos cabelos que criavam cachos nas pontas, de bons modos, nariz fino e ingênua. Cantava de forma lírica e era tão submissa que quase não tinha imaginação ou senso de…
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O doce amargo sabor da bela adormecida Era uma vez uma moça, no estilo dos sonhos norte-americanos. Loira, de longos cabelos que criavam cachos nas pontas, de bons modos, nariz fino e ingênua. Cantava de forma lírica e era tão submissa que quase não tinha imaginação ou senso de humor. A princesa unigênita de um rico reino. Quão doce que era a linda moça! Inocente, um dia tocou uma agulha envenenada e caiu em sono profundo. Por séculos dormiu e tudo parou. Veio um príncipe e a beijou na esperança da moça acordar e se tornar a princesa dele, mas a moça não acordou. Veio outro príncipe e nada. Mais um. E outro. Vários outros. Todos saiam desencantados. O que havia de errado com eles? Nada! O nome da moça? O seu! O nome da agulha? Clonazepam. E o nome do príncipe, sabe? Também é o seu. Acontece que no mundo real, tudo muda. Aliás, a Física e a Química provam que tudo está em MOVIMENTO. Por isso, permanecer parado para fugir do amanhã é ilusão. E o sono profundo da doce Bela Adormecida causa uma dor profunda e num processo cíclico, ela em sua agonia, toca novamente na agulha. E ficamos como na música do Chico: “vendo pela janela a banda passar”. De tão bela, a princesa ficou feia. Até a beleza muda. Porque o senso estético transforma-se. Um dia ela acordou e viu as mudanças em torno de si. Desiludida, tornou a tocar na agulha. A moça vegeta legalmente aceita pela sociedade. Que condói-se, até taxar a esperança como fracassada. Esse é o doce amargo da Bela Adormecida. Uma medicação inocente que eu e você deveríamos usar pouco tempo e de vez em quando, com muita precaução recomendada por um médico, de preferência psiquiatra. Mas o Brasil tem tomado cada vez mais deste veneno. Seja você o autor da sua história e não a torne uma estória. Se um dia for a Bela, saiba que a dor faz parte do pacote vida. Torne-se seu príncipe salvador e deixe-se salvar!

O gringo no Café Central. Assim meu pai me contou, enquanto ria; a história de um gringo no Café Central. Era lá pelas bandas do final dos anos cinquenta, um gringo muito chique, metido à besta, resolveu vir à Goiânia para ganhar dinheiro. Mas como todo inglês que se preze, fez…
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O gringo no Café Central. Assim meu pai me contou, enquanto ria; a história de um gringo no Café Central. Era lá pelas bandas do final dos anos cinquenta, um gringo muito chique, metido à besta, resolveu vir à Goiânia para ganhar dinheiro. Mas como todo inglês que se preze, fez um curso de Português com um erudito de Portugal. E como todo homem prevenido, trouxe o professor com ele até o Rio de Janeiro. Três meses de viagem, o tal inglês hospedou-se no Grande Hotel. E hotel você já sabe... pagando bem... eles entendem até língua de cachorro! Lá eles ensinaram que um homem de “porte” como ele, deveria ir ao Café Central para fazer contatos. O homem se ajeitou. Colocou seu terno escuro, completinho. Até com colete e gravata com broche. Chapéu preto e sapato escuro. Tudo na risca de giz, fresquinho; para Londres. Saiu o cândido, rumo ao Café Central, a pé. Sentindo-se! Eram três da tarde, onde passava, os homens de chapéu branco olhavam para ele e o cumprimentavam. Logo, o gringo percebeu que talvez teria que ouvir com mais cuidado os cumprimentos porque os fonemas saiam todos iguais numa palavra só: _Bastard! Boatard! Quanto mais as pessoas o cumprimentavam, mais calor ele sentia. Era o meio de setembro. E... depois de encharcado de suor. O homem chega no aglomerado de pessoas, na esquina da Avenida Anhanguera com a Rua 7, que era o Café Central. Adentrando o gringo; meu pai, mocinho do Lyceu, que estava de fora do estabelecimento; olhou de soslaio aquele branco de dar dó. Preto riscado, empoeirado, com uma mistura de perfume e um “certo cheirinho”. Lá dentro, ninguém olhou para o homem. Todos absortos na sua própria conversa, em negociações. Um burburinho entre comerciantes de tudo. Conforme o recomendado pelo funcionário do Grande Hotel, o inglês foi de pronto ao balcão. Avistou um atendente, que abriu um sorriso quando olhou outro homem que chegou de terno de linho branco e botas de cano alto. Sem cerimônia, o intruso sentou-se no banco que, para o inglês era dele. Depois do susto, resignado diante de sua ansiedade, o protagonista acomodou-se ao lado do homem e pôs-se a observar. _ Bastardeee Tiaozim! Que vaicê ogi? _ Bastardiii! Demaisdaconta! Dissempri! _Intão-tá! O atendente virou-se todo feliz para trás e pegou um cestinha com pão-de-queijo e uma xícara de café. Voltou-se ao moço. Nisso, o inglês vendo a cena, já começava a sentir um certo frio na barriga. Pois não compreendia nada do que eles falavam. Fitava-os atentamente. Agora, nosso fidalgo, sentia-se um mero protagonista. O moço trouxe o café, colocou para o jovem ao lado e com um bule de leite numa mão, perguntou: _ Poçopô? _ Pó-pô! Ele colocou um pouco. O rapaz deu um gole e o atendente olhou para o inglês. Tudo pareceu em câmera lenta. Nisso, o homem já não suava de calor, mas frio de nervoso. Olhou atentamente para a boca do atendente tentado decifrar o que ele falava: _ Êita língua difícil! Ainda tem que mudar? O atendente meio que receoso que talvez o homem muito que arrumado estivesse a passar mal. Fitou-o esperando uma resposta, quando o nosso insigne ia responder...suspirou aliviado! O garçom voltou-se para o moço de branco. _ Tiaozim pó-pô mais? _ Mais é clar-que-sim! Colocou mais café na xícara e voltou com o “indigesto dialeto”: _ Quémais? _ Pó-pô! Colocou mais. _ Pó-pô-mais? _ Pó-pô-mais! _ Tá bãmassim? _Num tá-não! Pó-pô-mais! Nosso excelso ficou mais apreensivo. Compreendeu que o homem nativo, negou, afirmou para negar. E como se não bastasse, terminou afirmando novamente em imperativo! E o atendente nem achou ruim. Parece que agora ele sentia sua gravata muito apertada e sua boca extremamente seca. De repente, o atendente olha para ele e faz uma pergunta. Assustado o ingles respondeu: _I would like to a cup of tea and a glass of water, please. _ traduzindo: “Eu gostaria de tomar uma xícara de chá e um copo de água, por favor.” _ Of course! One moment please. _ traduzindo: Claro! Um momentim, por favor! E não era que o garçom falava o Inglês! O problema é que o inglês não sabia nada de Goianês. Êita sô! Tem base um troço desses? Nerisírley Barreira do Nascimento 2018.

Solidão de Maria **** ****
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Solidão de Maria **** **** Maria nasceu lá nas décadas de sessenta. Do século passado. **** Maria aprendeu que o sexo é proibido. ***** Maria também foi perseguida. Não por soldados, mas pela sempre pronta e atenta, nossa querida sociedade. **** Quem mandou Maria nascer Maria e não João? ****** _ Ela é que pague o preço de sua escolha! ****** Maria tem que ser calada, voluptuosa e burra. Porque Maria que é Maria, é mulher! ***** Mas Maria não foi nada disso. ***** E ainda teve a ousadia de nascer preta. Preta sim! Não sou de meias palavras. ***** Negro, não é nem raça. Preto é cor! **** Maria, além de negra, é preta. Não tem vida cor-de-rosa! **** Essa pobre coitada. Teve o desplante de perguntar. ***** Nasceu inteligente e não foi sábia de esconder sua mente. **** Maria percebeu o mundo. Não gostou! Mas as horas Maria não era para sexo? Não é para isso que o Brasil vende Marias e o mundo inteiro compra? ***** Oras! Maria era para ser enganada! Mulher e negra? É classe e situação permanente. É o regime de castas brasileiro. Que a gente age.... Mas psiu! É impróprio falar. **** Maria que é Maria, é pra usar. **** Mas Maria não aceitou. **** Maria... tola Maria! Questionou. **** E o tempo foi passando. Os anos se tornaram pesados. Maria ficou só. **** Sem homem. Sem sexo. Apenas com seu gênero, raça e inteligência. **** Maria que é Maria. Tem que se resignar. Porque Maria quando não é Maria... fica só, por questionar. **** E Maria ainda inventou de estudar. Teimosa, petulante e atrevida Maria! Como ousa? **** Vai chorar muito pra chegar lá. Mas num tenho pena! Nasceu assim, então tem que sofrer! Tenho nojo dessa cor. Detesto esse jeito sinuoso de mulher, que não se serve para os homens. E fico com raiva dela ser feliz! Ainda assim, Maria! **** Eu me alegro com cada sofrimento de toda Maria goiana. **** Êita! O que é que eu vejo ali? Mas não é que é Maria! Toda faceira. Solta, alegre a andar? Que absurdo! **** Sozinha e sem homem? Como pode? Toda aprumada, com documentos a carregar. **** Num é que Maria hoje, depois de muito sol, está estudada! **** Onde este mundo vai parar? Dar emprego para uma Maria se tem tanto José pra trabalhar?