Frase de António Prates
Vou fazer de conta que já me esqueci dos dias mais quentes, das noites mais frias; mas no fim de contas, o que faço aqui, neste catavento cheio de avarias...? Sopram na aragem ventos duma sorte que tanto dominam laços corrompidos; e vindos do nada, passam com desnorte pelo catavento, junto aos meus ouvidos.. Faço que não oiço, porque fiz de conta que já não sou eu, nem me reconheço; oiço esses zunidos, com a cabeça tonta, dou-me ao manifesto, dão-me qualquer preço... Porém, contrafeito, tão-pouco me valho, nesta condição, com um ar cinzento; sou mais um andrajo, pareço um bandalho, junto ao velho eixo deste catavento.
No pensador.ai desde