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Frase de Jose Gomes Paes

A ANACONDA DO SEU ZÉ PESCADOR Autor: José Gomes Paes Em: 10/09/2016 Na cidade de Urucará No tempo de antigamente Aconteceu um fato Que apavorou muita gente A historia da Anaconda Gigante A maior de todas as serpentes Seu Zé Pescador Homem simples trabalhador Para sustentar a família Também era pescador Passava a noite no lago Pensava no seu amor Os peixes que ele pegava Vendia lá na beirada Com o dinheiro apurado Alimentava a mulher e a curuminzada Não tinha medo de nada Enfrentava qualquer parada Seu Zé nem pensava O que estava prá acontecer La no Lago do Mazagão A coisa ia feder Bicho que ele nunca viu Estava prá aparecer Foi numa noite de luar No meio do lago boiou Com dois holofotes brilhantes Que seu Antônio nem imaginou Pensou que fosse um Barco de Pesca E logo se inquietou Muitos já o tinham alertado Desse monstro destemido Que de vez em quando aparecia No Lago Mazagão revestido De sua pele escamosa Soltando muitos gemidos Seu Zé Pescador No igapó foi se esconder Teve medo do monstro Que fez a canoa tremer Ficou a observar O que estava pra acontecer A Anaconda Gigante Andava de lado pro outro Deixando rebuliço no lago Causando um tremendo alvoroço E o seu Zé escondido Ouvia o barulho estrondoso Aquela presepada toda Por algum tempo demorou Quando do meio do Aningau Mais dois holofotes brotou De outra Anaconda Gigante Que a outra se juntou O seu Zé tremendo de medo Ainda mais se escondeu Mais de lá observava Tudo o que aconteceu As duas se enrolaram na água Daí todo o lago tremeu As duas se entrelaçaram Em uma noite de amor Era um barulho medonho Gemiam sem sentir dor Nisso levou algum tempo Foi o que seu Zé narrou O dia já vinha raiando Quando uma se soltou Uma nadou para o Aningau A outra a cabeça mergulhou Voltou no lago à normalidade Onde tudo se acalmou Os peixes voltaram pro lago E enfim pode sua rede de pesca armar Seu Zé ainda conseguiu Alguns peixes pegar E assim voltar prá casa E muita historia prá contar O seu Zé olhou bem Pode enfim determinar O tamanho daquele monstro Tinha de vinte metros prá lá O que jamais tinha visto Nos lagos de Urucará Essa Serpente Gigante Botou pescador prá correr Muitos já tinham visto Nada puderam fazer No caso do seu Zé Com medo ficou de morrer Depois do que passou De um homem corajoso O seu Zé virou Um pescador medroso Prometeu não voltar Ao lago para pescar Essa é a historia Do seu Zé Pescador Que viu a Anaconda E me contou com fervor Detalhes daquela cena Que ele presenciou Muitos não acreditam Dizem que seu Zé inventou A historia da Anaconda Que foi ele que criou A minha opinião é diferente Acredito no autor. Muitos já tiveram A oportunidade de ver Um animal tão medonho Que só os olhos podem crer O seu Zé teve a sorte E pode nos descrever Pelo que conversei com ele E pelo que pude observar O seu Zé não teria A capacidade de inventar Uma história tão perfeita Que acabei de contar FIM

Jose Gomes Paes

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Canoa Ribeirinha (A canoa nos leva as paisagens inimagináveis, onde a natureza expõe toda a sua beleza). Madeira de Lei
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Canoa Ribeirinha (A canoa nos leva as paisagens inimagináveis, onde a natureza expõe toda a sua beleza). Madeira de Lei Tronco de Itaúba Árvore sacrificada Brocaçao, cavação Trabalhada, lapidada Árvore nativa Tronco de Angelim Pedra Desgalhar, descascar Esculpir, golpes de Machado Canoa fabricar Mata virgem Tronco de Massaranduba Ciência milenar Do caboclo ribeirinho Queimar, golpes de Enchó, alinhar Canoa Ribeirinha Tronco de Cupiúba Derrubado, escavado Quilha, bancos Acabado e calafetado Canoa Ribeirinha Meio de transporte Tronco de madeira Dos ribeirinhos e ribeirinhas Desta Amazônia brasileira Sem a canoa ribeirinha O caboclo não sobrevive Ele pesca, ele caça Trabalha, planta e colhe seu alimento Ele sonha e viaja José Gomes Paes Poeta amazonense de Urucará Poeta da Abeppa e Alcama

Raiz Sou filho de Urucará Adotado por Manaus
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Raiz Sou filho de Urucará Adotado por Manaus Cresci no Amazonas Terra de muitos quintais Sou caboclo urucaraense Orgulho-me de meus ancestrais Hoje estou em Manaus Com Urucará no coração Um dia, hei de voltar A morar no meu torrão Que não me sai da mémoria E do fundo do coração Quando estou em Urucará Sinto muita emoção É muita paz, é alegria É Raiz, é gratidão É viver intensamente Uma verdadeira paixão

O CABOCLO É RICO POR NATUREZA Autor: José Gomes Paes A natureza é fonte de sobrevivência de todos.
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O CABOCLO É RICO POR NATUREZA Autor: José Gomes Paes A natureza é fonte de sobrevivência de todos. Principalmente dos caboclos como nós. Se os rios estão limpos e protegidos Haverá muito mais peixes Para saciar a nossa fome e de muitos outros. Do pobre, do rico e do caboclo. Porque o caboclo é rico por natureza. Se proteger a mata os animais sobrevivem. Posso matar uma caça para saciar minha fome. Eu vivo na natureza e sobrevivo dela. A floresta é meu lar Ela me dá o ar que respiro A fonte de água prá beber Deito na rede me embalo e viajo. Vou além dos meus pensamentos. Sonho estar aqui pescando. Remando, canoa adentro do lago. Que rio! Parece um tapete brilhante. De águas correntes vivas e rebujantes. A receber seu ilustre filho da natureza. De canoa entre os igapós As arvores me rodeiam e me cobrem. Vejo a minha sombra a refletir na água. Como se fosse um espelho, dádiva da natureza Nasci aqui neste pedaço do Amazonas Cresci comendo manga no pé Peixe assado na beira dos igarapés Tomando banho no rio. Desde menino eu aprendi. A pescar, a caçar, a nadar. Dos conselhos que minha mãe dizia O pé de abacate no quintal. O jaraqui frito que ela fazia São coisas que me fazem lembrar. Dos amigos que aqui deixei E dos mais velhos que sempre respeitei Das brincadeiras de pira Jogos de turiste O papagaio de papel. O campinho detrás da Igreja. A historia de Papai Noel Do sapato embaixo da rede A espera do presente de natal. Das peladas do fim de tarde. Do banho no cedro do porto. Lembro bem do salto das ribanceiras. O nadar no rio de águas brancas e frias Dos ventos de verão. Em baixo dos bejaminzeiros. Que encobrem o frontal da cidade. Oh! Cidade querida que tanto amo. Que um dia me viu nascer. Nunca vou esquecer-me de ti. Porque quem ama sente saudade. E a saudade dói muito no fundo do peito Porque não proteger a natureza? Se ela me dá o que eu preciso para sobreviver Porque não preservá-la? Porque não defendê-la? Se ela me dá tudo. Tudo o que eu posso ter. A alimentação, a mata, a água, o ar, a chuva, o vento, o sol, a lua, o frio, o peixe, a caça. Eu sou filho da mata, sou caboclo. Caboclo rico por natureza. E preciso sobreviver. FIM