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Frase de Paulo Afonso de Barros

Passageiros sem hora para voltar... As histórias de vida de muitos de nossos pais é cercada de conflitos, na memória está guardada a criação difícil que tiveram os nascidos nas décadas de 10, 20 e 30, quando a família, conservadora, girava em torno do pai e a mãe era exclusivamente a dona de casa e procriadora da prole. Os pais de então receberam de nossos avós uma criação rígida, sem concessões, estavam a passar para as gerações seguintes o que aprenderam, rigidez, austeridade e a cultura do homem macho, que não podia chorar ou demonstrar sentimentos. Quantos de nós, muito tempo depois, com nossos pais já velhos e cansados, não tivemos a oportunidade ou a sensibilidade de compreender o sofrimento que eles carregavam sem saber ou ter como externá-los. Revendo esse tempo com um novo olhar, menos emocional, com mais flexibilidade, podemos perdoar e pedir perdão pelas mágoas que carregamos. Nossos pais repetiam o que aprenderam e, décadas depois, sem esse discernimento, há muitos filhos que abandonam seus pais em precárias “casas de repouso”, a maioria um depósito de velhos. Faz-se um ciclo vicioso, com heranças genéticas e emocionais, que precisa ser quebrado para se tornar um ciclo virtuoso de perdão e reconciliação. Se, por instantes breves, nos colocarmos no lugar de nossos pais, teremos a chance de ter uma pequena dimensão do que passaram. Há que se fazer a ressalva aos pais que, visionários para a época, conscientes, faziam diferente e não se impunham pelo medo ou força, na base do rabo-de-tatu, uma espécie de chicote, comum apetrecho com argola de ferro no cabo e duas talas na ponta pra machucar, vital "instrumento de educação". As memórias, boas e ruins, são uma excelente oportunidade de reconciliação com quem ainda está vivo ou que já morreu, mesmo com Alzheimer, Parkinson ou Demência. Ao deixar a vida real de lado, em busca de respostas em nosso interior, somos passageiros, sem hora para voltar.

Paulo Afonso de Barros

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Pensador.com

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Pessoas especiais não estão em extinção... há várias espécies de orquídeas em extinção, quem as admira não é uma pessoa comum, possui o dom da sensibilidade e da beleza, por certo sempre foi uma pessoa diferente, mas não se vê como tal, pessoas especiais não estão em extinção, basta observar ao lado, com atenção...

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Excesso de sofrer... temer exageradamente o desconhecido, negar desejos, querer o futuro previsível, fincar morada no passado, culpar-se em demasia, julgar-se sem limites, não admitir a saudável ajuda, e ainda, não se perdoar. é uma receita impraticável, é pensar demais, é pouco viver, é impossível, é sofrer por ser apenas humano...

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Mulheres generosas... Cada pessoa tem algo de especial, algumas mulheres, em particular, são abençoadas e tem mais sensibilidade e carinho, são dotadas de um coração melhor que parece maior, só assim para entender sua capacidade de se doar intensa e incondicionalmente para com aqueles que amam e confiam, ainda que sem a correspondência merecida. Os filhos sempre são acolhidos e amados com uma força que só tem paralelo com as energias da natureza representadas pelo ar, fogo e terra que, em movimento, não encontram resistência. Conheci mulheres especiais, na família a mãe generosa, guardiã permanente dos meus dias, no mundo, poucas, perdi muito com exigências de garantias e certezas. Quantas mulheres generosas e abençoadas...

Arroz, feijão e ovo... Um estudante universitário, chegando da universidade de uma cidade vizinha, já tarde, desce no mesmo ponto de ônibus de todas as noites no centro da região de São José dos Campos. Um menino se aproxima, balançando as mãos, e diz:
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Arroz, feijão e ovo... Um estudante universitário, chegando da universidade de uma cidade vizinha, já tarde, desce no mesmo ponto de ônibus de todas as noites no centro da região de São José dos Campos. Um menino se aproxima, balançando as mãos, e diz: - Tio, eu tô com fome. - O que você está fazendo na rua nessa hora? - Ah eu tenho que levar comida para meus irmãos. - Quantos anos você tem? - Nove anos. - E irmãos, quantos são? - Tenho mais cinco irmãos. - Qual a idade deles? - Eu sou o maior. - Sabe que eu te vejo por aqui quase todas as noites? - Eu também vejo o tio. - Sua mãe sabe onde você anda? - Sabe sim, ela pede pra eu só voltar quando tiver comida pra levar. - Você tá com fome? - Tô sim. - O que você quer comer? - Arroz, feijão e ovo. - Olha, vai ser difícil achar um lugar aqui nessa hora que tenha o que você tá pedindo, pode ser um lanche? (mostrando-lhe um carrinho de cachorro-quente). - Não, quero arroz, feijão e ovo. - Tá bom, vamos procurar. - Ali tio, ali... - Onde? O menino aponta para um restaurante famoso, na Av. Dr. João Guilhermino, ao lado da então Faculdade de Direito, posteriormente UNIVAP. - Tá bom, vamos ver se eles ainda atendem. - Eu também quero guaraná. - Por favor, o menino está comigo, é possível vocês prepararem um prato com arroz, feijão e dois ovos fritos? Entreolhares, garçons, quase meia-noite de um dia de semana, o gerente faz um discreto movimento, autorizando o pedido. Escolhida a mesa, toalha e guardanapos branquinhos e lá estava o menino, pés no chão, camiseta e calção surrados, atento a tudo. Logo chega o prato, arroz, feijão e dois ovos estrelados, acompanhado de guaraná. - Tio eu quero comer de colher. - Prontamente o garçom providencia a troca de talheres. O menino comeu gostoso e rápido, mostrando bons modos à mesa, conversava bem, logo terminou também o guaraná. Não havia mais clientes no restaurante, toalhas recolhidas, cadeiras de pernas pro ar e já sobre as mesas, garçons varrendo e limpando o salão, portas semi-fechadas. Conta paga, o cliente mais especial da noite, pelas circunstâncias talvez da história, com um inesquecível sorriso de felicidade no rosto, deixa o restaurante que ainda hoje mantém a aura de seus tempos de referência na região. Já se passaram cerca de 32 anos, onde andará aquele menino?