Frase de José Paulo Santos
Os calafrios da incoerência Que prazer é ler um texto coeso e coerente. Viaja-se dentro dele como se passa por uma seara de trigo embalada pelo vento suave e quente. Seguimos pelos seus caminhos com confiança e alegria, sabendo que o seu autor nos propõe uma rota de leitura com unidade, com harmonia e lógica profundas. Um prazer! Ora, o mesmo se passa com o ser humano, melhor dizendo, com as pessoas. Como se escrevem as pessoas? Quando "leio" as pessoas, espero delas essas mesmas características que procuro nos textos: coerência e coesão. O oposto incomoda-me, irrita-me, arrasta a desconfiança e provoca-me calafrios, frios, frios. É suposto que um texto, por esses mesmos princípios de beleza, de encanto e de equilíbrio, me causem admiração, desejo, orgulho e imensa vontade de saborear cada sílaba, palavra e frase. E as pessoas? Que textos são as pessoas? Tanta gramática, tanta sintaxe, tanto vocabulário por fazer e refazer e aperfeiçoar! Exijo que a prosódia se eleve. Quero que a grafia, a entoação, a pontuação, a acentuação se desenvolvam com princípio, meio e fim, numa edição única, esbelta, matura e profunda da Alma e que seja o mais belo texto que jamais terei lido em alguém! E assim, acredita, já no aconchego do meu outono, entre o crepitar de uma lareira reminiscente e um sóbrio despertar de alma, prometo ler e saborear o Ser que trazes até mim, essa obra humana que soubeste escrever.
No pensador.ai desde