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Frase de Suellen Mara Couto

Vento Ontem um vento bobo Entrou pela janela, Derrubou meu enfeite de vidro, E o fez ficar em cacos. Eu também fiquei como os pedacinhos Perdidos pelo chão Não era porque era meu enfeite favorito, Não era por ter que juntar os vidros, Não era por ter que varrer o piso, Ou me ver assim, Prostrada, com as mãos no chão. Foi porque eu deixei a janela aberta, Porque quis deixar algumas brechas, E esqueci-me do enfeite no balcão. Mas hoje, depois que juntei os cacos, Resolvi a janela não abrir. Ainda não sou capaz, De deixar algumas brechas, De juntar os cacos que surgem, De aceitar que os vidros quebram, De saber sentir o vento. E olhando meu reflexo No espelho trincado do banheiro, Vejo que sou como aquele enfeite quebrado Que o vento derrubou. Despedaçada, desfigurada, desfeita, Incapaz de me recompor. Não sei o que enfeite sentiu Quando se quebrou. E o que senti? Também não sei... Quando o vento me atingiu? Não recordo, mas me ajoelho E fico em prantos. Não por estar quebrada, Não por estar desfigurada. Mas porque me lembrei Da janela que abri, Do vento que deixei entrar, E que quis me destruir.

Suellen Mara Couto

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Sou eu mesma, a doença que corrói, Que dilacera, que derrota, Essa casca que restou. Que a contaminação seja mais rápida, Que finde essa tortura, Que eu seque e caia como as folhas, Que piso nessa rua...