Frase de Luiz Roberto Bodstein
Resposta à Fernanda Young, para sua Carta à Tristeza: Pois é, Fernanda. Folgada como é, comigo ela faz o mesmo. Vez por outra bate na porta, e quando abro ela ai entrando de mala e cuida, se achando a dona do pedaço, como é de deu feitio. Pensa que vai chegar e se instalar de vez, pois abre o guarda-roupas e ocupa todos os meus cabides – com toda pompa e circunstância – como se fosse ficar para sempre. Mas como sei bem como ela é, num primeiro momento finjo que concordo. Por educação permito que entre e ocupe todos os meus espaços sem oferecer resistência, como aconteceu ainda esta semana mesmo. Mas no dia seguinte já deixo claro que se trata do meu espaço, e que sua estada é – e sempre o será – bem breve, deixando a mala dela bem à vista para que não se esqueça. Sempre que chega faço assim: não a ignoro nem a expulso; só não deixo que se assenhore de tudo. Logo na primeira vez em que tentou se instalar, disposta a transformar sua vida em casamento, falei em alto e bom tom que isso nunca aconteceria, pois que temos naturezas bem diferentes: e o rompimento se daria em seguida por absoluta incompatibilidade de gênios: ela é amarga e eu amo a vida, ela torna tudo pesado e eu curto ser leve, ela gosta da noite e eu adoro o sol. Então não batemos! Acho que funciona, pois logo ela faz as malas de novo e procura outro lugar pra ficar, já que sabe que por aqui nunca vai passar mesmo de uma hóspede rápida e passageira! Sei que agora você vai ficar bem, como eu já estou desde que ela desistiu e se foi daqui de novo, em busca de outro lugar pra morar. Sempre tenta, é claro, mas em algum momento vai acabar entendendo que por aqui é que não vai ser! Espero que se recupere tão rápido quanto eu, e ponha pra fora esse seu sorriso outra vez. Um beijo pra você! Luiz Roberto Bodstein
No pensador.ai desde