Frase de Querlis Patricia Alves da Rocha
E talvez seja isso: continuar existindo com profundidade em um mundo que insiste em ser raso.
Querlis Patricia Alves da Rocha
No pensador.ai desde
E talvez seja isso: continuar existindo com profundidade em um mundo que insiste em ser raso.
Querlis Patricia Alves da Rocha
No pensador.ai desde
Havia um livro de poesias que me acompanhou na adolescência. Por algum motivo,
Havia um livro de poesias que me acompanhou na adolescência. Por algum motivo, o nome se perdeu no tempo, mas o sentir ficou. Sempre gostei de poesia, embora quase nunca dissesse isso a ninguém. Talvez vergonha, talvez medo de me mostrar demais, ou talvez o silêncio fosse a forma mais segura de sentir. No fundo, eu amava como aquelas palavras estavam escritas naquele livro antigo de poesia, e o modo como elas me faziam existir por dentro. Há um verso que nunca me deixou — um desejo dito em voz baixa: "queria estar onde as águas não faltam, onde o amor não se acaba, onde os afetos não têm prazo, onde os amores são eternos." Não sei quem disse, mas sei o que isso fez em mim. E talvez isso baste.
Hoje posso dizer que tudo o que me resta é tempo.
Hoje posso dizer que tudo o que me resta é tempo. A vida cobra as nossas concupiscências, as nossas escolhas, e um dia, sem aviso, a fatura chega. Já bati na trave algumas vezes para deixar esta existência. Não me agradaram essas passagens — nem as médicas, nem as emocionais, pela forma dura como me atravessaram. Doeram. Assustaram. Marcaram. Mas também me obrigaram a pensar sobre a vida com mais seriedade do que eu jamais pensei. Existe, de fato, um paraíso para nós? Seremos lembrados na memória de Deus? O tempo tem conexão com esta vida ou apenas nos atravessa como um rio indiferente? Será tudo isso apenas presunção, um pensamento insistente que eu alimento para suportar os dias? Ou existe algo depois desta vida — algo que não cabe em palavras, mas faz sentido no silêncio? Hoje, não tenho certezas absolutas. Tenho perguntas maduras. E talvez isso seja fé: continuar vivendo mesmo sem todas as respostas, confiando que o tempo não seja o fim, mas um caminho.
Tenho sonhado muitos sonhos novos, mas existe um que sempre retorna.
Tenho sonhado muitos sonhos novos, mas existe um que sempre retorna. Ele ressurge nas mudanças de ciclos, nas viradas do tempo, como quem sabe exatamente quando aparecer. Neste início de 2026, ele vem com uma saudade desquerida daquelas que a gente tenta negar, se proíbe de sentir, como se sentir fosse fraqueza ou atraso. É uma saudade que caminha em silêncio, não grita, não pede abrigo, apenas fica. Entre um espaço e outro do tempo, a gente finge que está tudo bem, respira, segue, mas em algum canto do pensamento surge a pergunta mansa: Será que está tudo bem por aí? E mesmo sem resposta, a saudade permanece — não como dor, mas como memória viva do que foi e, de algum modo, ainda é.
Costumamos eternizar coisas que, na verdade, não têm mérito algum
Costumamos eternizar coisas que, na verdade, não têm mérito algum para serem eternas. Amores que não se concluíram ganham status de perfeitos justamente porque ficaram pela metade. Nessa ausência de fim, mora uma pergunta insistente: e se…? O inacabado seduz. Não foi testado pelo tempo, não enfrentou a rotina, não precisou permanecer. Por isso parece grande, quando na verdade é apenas incompleto. Talvez seja hora de valorizar o que é real, o que é existencial, o que ficou e escolheu ficar. E, sobretudo, parar de cultuar aquilo que não teve coragem de se tornar inteiro. Nem tudo o que não acabou merece ser eterno. Algumas coisas apenas ficaram pela metade porque era exatamente até ali que podiam ir...