Pular para o conteúdo

Frase de Valdemir Henrique policer

BAILEMOS E de repente o vento nos convida a bailar. Não nos impõe ritmo algum; deixa- nos livres para criarmos nossos próprios ritmos. Então percebemos que a natureza dança; toda ela dança. O vento é o mesmo para todos os dançarinos, porém cada qual ao compasso do mesmo vento dança ao seu ritmo particular. As águas dançam encrespando-se em ondas, e ao mesmo vento pairam as andorinhas em seu balé acrobático cortando o céu em um espetáculo encantador. Lado a lado levados pelo mesmo vento, bailam cada qual ao seu compasso, o caniço do bambual e os ramos do arvoredo. A relva parece proporcionar um suave balé sincronizado entregando-se ao ritmo sem o menor medo de ser tachada ridícula. Os trigais dourados se juntam em ondas, como se fossem uma única massa levada pelo ritmo faceiro e sua meninice. Não o vemos (amigo vento), mas o sentimos nos tocar suavemente, como se nos levasse pela mão, nos convidando a adentrar a pista da vida sem timidez e dançar. E se olhássemos mais humanamente perceber-mos-ia que quando passas toda a natureza se põe a dançar; diante de ti ela não se mantém inerte; mas se entrega sem pudor. Não à toa o grande Chico dos Pobres o chamou irmão. Ah!... se a humanidade se permitisse invadir por suas rajadas, e arejando seus preconceitos permitisse se entregar ao teu ritmo e dançasse: oh Vento! Talvez assim houvesse mais encantos na rotina e menos rotina na vida. Ou ao menos seria mais fácil levá-la dançando. Acho que o Chico concordaria comigo!

Valdemir Henrique policer

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Valdemir Henrique policer

Ser “Tudo que sei consiste em saber que nada sei”: já dizia o filosofo. Sou insignificante diante da obra.
Continuar lendo

Ser “Tudo que sei consiste em saber que nada sei”: já dizia o filosofo. Sou insignificante diante da obra. Tudo é maior que eu. Sou uma simples partitura da escala musical na orquestra do universo. Sou uma simples clave de sol no prisma das cores que se decompõe em arco-íris. Sou um grão de areia em meio às dunas da vida carregado ao bel prazer do vento impetuoso. Sou o átomo de uma gota que compõe o colossal oceano que me dilui em sua indomável força. Sou um fecho de luz tênue e tímido a entrar pela fresta duma janela de um cômodo escuro. Sou a argila entregue passivo e confiante nas mãos do oleiro que me molda a seu gosto particular. Não tenho nada em mim mesmo do que me engrandecer. Sou pó da estrada que se levanta com o tropel ruminoso dos transeuntes da vida a cumprirem sua marcha rumo ao eterno. Sou a menor peça entre as que compõem a engrenagem intrigante da existência. Sou poeira das estrelas. Sou resquício de um criador onisciente que por algum indelével e inefável motivo me deu, sem eu ter merecimento algum, o presente da vida.