Frase de Charlanes Oliveira Santos
Estou dentro de uma caixa Meu espirito estar quebrado Meu corpo frasco frágil Se um ser ocular me observasse seria como a noite se esfuma Como se a sombra abraçasse outra... Como se na aureola circulasse o tempo No vácuo vazio do firmamento um cisco a deriva no gelado espaço flutuasse... A prisão eterna do nada para segura e proteger o silencio dele mesmo...entregue circula sem próprio efeito que se esvai pedido... Nunca vir tamanho silencio... O fio invisível entre a vida e a morte. tão frágil quanto o pó que dança na luz, tão vazio quanto o eco que eu mesmo criei. Mas é nesse vazio que encontro algo meu, uma pequena centelha que insiste em arder mesmo quando a noite inteira sopra contra ela. Aos poucos entendo que existir não é mais do que ser testemunha: testemunha do meu medo, do meu silêncio, da minha queda, e ainda assim, do meu espanto diante do mundo. Há uma beleza simples nisso, uma beleza tênue, quase secreta a beleza de ser mortal. De saber que o tempo me atravessa, mas ainda assim sentir, ainda assim querer, ainda assim seguir. Sou observador e parte, sou poeira e pensamento. E no encontro entre o nada que me envolve e o pouco que sou, surge um propósito que ninguém me deu: o propósito de sentir o que é existir, de existir enquanto ainda posso ir, mesmo frágil, mesmo pequeno, mesmo efêmero como um sopro no espaço. E talvez seja isso— meu descobrimento silencioso: não sou grande, não sou eterno, mas sou. E ser, por um instante, já ilumina tudo como coração bate fraco constante mas ainda pulsa um lampejo tênue, como se a noite respirasse dentro do meu peito e a sombra aprendesse a sussurrar meu nome. Sou corpo-frasco frágil, translúcido ao toque do vento, e se um ser ocular me observasse, veria o tempo escorrer pelos meus contornos como um anel que gira sem nunca se perder, um ciclo preso à própria eternidade. No vazio do firmamento, sou cisco errante, flutuando entre o frio e o silêncio, entre o tudo que não alcanço e o nada que me envolve. A prisão eterna do nada parece guardar-me com cuidado, como se protegesse meu silêncio do ruído de existir. E eu, entregue, circulo sem direção, um efeito que se esvai, sem dono, sem eco, esquecido pela própria ausência. Nunca vi tamanho silêncio... e mesmo assim, ele me olha de volta, invadindo-me com sua boca invisível, a devorar o que resta do meu som, até que eu seja apenas bruma, e a caixa, apenas um suspiro preso no infinito.
No pensador.ai desde