Frase de Marina
CAFÉ.PT2 Eu vejo distopia, eu vejo alegria, vejo felicidade. Vejo missão, vejo oração, vejo asas retiradas. Vejo rachaduras, feridas que ardem, mesmo quando invisíveis em nossa pele e a olho nu. Mas que aos poucos se cicatrizam e se curam, não importa quanto tempo dure. Eu vejo romance, eu vejo fantasia, eu vejo charme, vejo flerte, vejo conversa. Vejo o balançar da inocência da vida. Eu vejo o nascer de um novo ser, o renascer, o reinventar, eu vejo a infância, a adolescência e o construir do mundo adulta, o amadurecimento de alguém. Eu vejo força, resistência, determinação. Eu vejo lágrimas, eu vejo fogo, eu vejo calor. Eu escuto soluços, choros, chorinhos e rimas. Eu vejo literatura, eu vejo teatro, eu vejo máquina de escrever, eu vejo o encantar, o descobrir, o desbravar. Eu vejo um olhar, uma janela, que sempre parece estar aberta, sempre com uma vista diferente, pronta para nos surpreender. Eu vejo o medo de voar, eu vejo a ânsia em decolar. Eu vejo alguém que procura se manter firme na corda bamba que é a vida onde não sabemos quando iremos cair e nem se teremos força para nos levantar algumas vezes. Eu vejo o entardecer, o pôr de um dia, os desafios da vida. Poetas que um dia eram aclamados, cheios de vida e arte para dar e vender e abraçar o mundo como uma platéia em um teatro, mas que agora se encontram mortos, vivendo escondidos, desunidos, e que procuram se encontrar. Vejo casa de vó, onde tudo parecia se amarrar em um sonho do qual desejávamos nunca sair. Um porto seguro, terra firme, a âncora que muitos procuram para não se afogar em mundo cheio de máquinas e pouca vida. Que aos poucos lhe retira a própria, fazendo de uma mente cheia de histórias para contar, uma mente vazia, da onde havia um mundo inteiro a se compartilhar. Como um gatilho de uma arma em rápido tiro. Em uma breve despedida sem destino. Mas que sabemos que um dia irá tornar a nos ver outra vez. Eu vejo torcida. Eu vejo o café.
No pensador.ai desde