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Frase de Jacilene Arruda

Terra-Mulher A Terra sangra em silêncio, como a mulher que cala o grito. Desmatam-lhe os seios verdes, como quem arranca o abrigo. Árvores irmãs separadas, como filhas em cárcere doméstico. O machado é verbo cruel, que fere sem dialético. O ar, antes canto de vida, agora é voz maldita, soprando tortura invisível na mente que se agita. A seca é prisão da essência, privatizam o ser, o sentir. A água, que era ventre livre, já não sabe mais parir. Ordenham sem consentimento, deixam-na na mão errada. O leite vira lucro sujo, a alma, moeda trocada. Rios contaminados choram, como corpos invadidos à força. O falo doentio penetra, sem amor, sem remorso, sem corsa. E a carne — ah, a carne vendida — tem preço, tem código, tem dor. Como o corpo da mulher na vitrine, sem nome, sem alma, sem cor. Mas há fogo sob a pele da Terra, há raiz que resiste ao corte. Há mulher que se levanta inteira, mesmo depois da morte.

Jacilene Arruda

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A ânsia de aprender de tudo Tem me deixado cada vez mais solitária Abro os olhos e enxergo a bagunça disso tudo E questiono a mim mesma por que escolhi tamanho fardo?