Frase de Carlos de Castro
SEM BOLEIA Até hoje. Desde que me traçaram o fado Malfadado, Nunca pedi boleia a ninguém... Nem quando na estrada de espinhos Com os pés descalços sangrando, Os olhos mártires chorando Em lágrimas de azevinhos, Percorri três quartos de uma vida Com tropa e tudo incluída Na bagagem vazia, despida De paz e de pão No vento suão, Dorido. Algozes vieram, torturadores; Para me meterem mordaça, Sem contar que a minha raça, Prefere morrer na praça Que bajular traidores, Horrorosos anunciadores Da desgraça. E não é que eu, por pirraça, Fiel sempre à minha ideia, Já velho, ao ferrugento, Mas em jeito de chalaça, Disse ao meu amigo vento: Sou um homem sem boleia! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 15-07-2024)
No pensador.ai desde