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Frase de Adolfo Casais Monteiro

Permanência Não peçam aos poetas um caminho. O poeta não sabe nada de geografia celestial. Anda aos encontrões da realidade sem acertar o tempo com o espaço. Os relógios e as fronteiras não tem tradução na sua língua. Falta-lhe o amor da convenção em que nas outras as palavras fingem de certezas. O poeta lê apenas os sinais da terra. Seus passos cobrem apenas distâncias de amor e de presença. Sabe apenas inúteis palavras de consolo e mágoa pelo inútil. Conhece apenas do tempo o já perdido; do amor a câmara escura sem revelações; do espaço o silêncio de um vôo pairando em toda a parte. Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe— morto redivivo. Tudo é simples para quem adia sempre o momento de olhar de frente a ameaça de quanto não tem resposta. Tudo é nada para quem descreu de si e do mundo e de olhos cegos vai dizendo: Não há o que não entendo.

Adolfo Casais Monteiro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Pingos de Chuva Caem, gordas, sonoras, monótonas pingas de chuva, - espaçadas - e indolentes vão marcando uma toada: ping pang – ping pang, as pingas chuva de Outono pardo. Espapaçada a terra mole absorve as vagas de chuva densa que lenta vai caindo, em pingas grossas, sonoras. E ao cair, a chuva bate o compasso com o som dum contrabasso… ping… pang… ping… pang…