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Frase de Carlos de Castro

⁠SANGUES Sangue, o puro, nem sempre é verdade E até pode ser nada no conceito da idade. Por vezes, pancadas tantas, Nas espancas, Que a gente leva, No rosto, De um mosto Que quer renascer no vinho Aguado, Porque não foi pisado. O sangue falso, É como uma bola Que não rola, Uma gaveta fechada, Ou um rico a pedir esmola Às putas tristes da estrada . Ou uma prisão sem grade, Um amigo, só de metade, Um rei, a limpar retretes E ovos sem omeletes. Triste mundo de falsidade, Onde só impera a vaidade Nos ditos tão instruídos, Que esquecem os amigos De verdade, Por troca de outros fluídos. Estão na moda os deletes Que trincam erva e chicletes E já não há mãos de fada, Só línguas de alfinetada, Enfim: Não há amizade, De verdade, Nem nada!... (Carlos De Castro, in Há Um Triste Livro Por Escrever, em 25-03-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)