Frase de Ana carla gomes de campos
Silêncio, grito preso, choro preso, silêncio. Tranca, cadeado, cofre. Onde está a dor? Em qual lugar desse corpo vazio se esconde? Onde está o sangue, o calor? Por que as veias estão vazias? A pressão enlouquece ao mesmo tempo que anestesia. A mente engana, sai em desvaneio e de repente foca no ponto, e aí, aí vagueia de novo em um ciclo sem fim... Só um buraco, oco, vazio. As cores se foram, o cinza chegou. Me tornei um dia comum, nublado, sem sol, mas também sem chuva, sem calor ou vento. Só nublado, cinza, eterno. O ponto de virada dramático O eco do vazio preenche cada espaço. Não há nada. Não há sequer a dor, apenas a ausência. O sangue e o calor se foram, e a memória de quando estavam lá é o único fardo que o vazio não consegue apagar. A lembrança de um tempo colorido, de uma pulsação, é a tortura final, o sussurro de uma mentira que a mente insiste em reviver antes de se calar. A tranca se dissolve, não por quebra, mas por corrosão. O cadeado enferruja até virar pó, porque não há mais nada a ser protegido. O cofre se abre, revelando nada além do ar rarefeito. O cinza não é uma espera, é a resposta final. A mente já não vagueia, ela flutua, um grão de poeira insignificante em um espaço infinito e desprovido de qualquer coisa. E o drama maior é a constatação de que não há drama. Não há tragédia, não há reviravolta. Apenas o nada, perfeito, completo e eterno, que se instalou e a memória do que existiu ecoa para sempre no que restou de minha vida. a.c.g.c
No pensador.ai desde