Frase de reinaldo hilario
Clareira no Fim da Sombra Há um túnel que a noite tece, De asfalto frio e ar que pesa, Onde o eco de um pranto crepita E a dúvida,sinistra, visita. Os passos são de chumbo e pó, Cada instante um eterno só. O ar,um véu de algodão cru, E o silêncio,um pesado atlas mudo. Mas segue, alma, não cries morada Nesta galeria escura e alongada. Pois mesmo onde a visão se apaga, A esperança,sutil, não se afasta. Ela é o fio de luz que não se vê, A respiração do chão sob os pés. É o grão de areia que teima em brilhar No granito mais duro a sussurrar. Não é um clarão, um sol repentino, É antes um trabalho pequeno e divino: É a gota que a rocha fende, O fio de voz que te diz:“Espere.” É a flor que racha o concreto, O abraço no desamparo completo. É a cor que volta ao branco e preto, É o mapa quando estás desacerto. Avista! Lá adiante, um ponto, um grão, Não é ilusão,não é traição. É a certeza de que a noite é fase, E a claridade encontrará sua estase. Não é o fim da caminhada, não, É a clareira após a escuridão. É a prova,calma e serena, De que a luz,por mais que doa, é plena. Então respira fundo o ar que avança, Cada passo é uma nova esperança. O túnel termina,a luz te banha, E a alma encontra a sua própria montanha.
reinaldo hilario
No pensador.ai desde