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Frase de Jean Firmino Cardoso

⁠O Engodo da Perfeição Da glória o cume, íngreme e isolado, Não cobiceis com sôfrega loucura; Que a perfeição é pérfida tortura, E o esforço extremo, prêmio malfadado. Melhor é o posto nobre e afeiçoado Entre os eleitos, com maior ventura, Do que ser o "Primeiro" em amargura, Por um só fito ser escravizado. A lei do pouco ganho e muito custo Castiga quem o topo almeja, insano, Tornando o viver breve e o fardo injusto. Sede, pois, sábio, ó passageiro humano: Diversificai o dom, tornai-vos robusto, Que a paz reside longe do tirano.

Jean Firmino Cardoso

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Pensador.com

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O Despertar do Efêmero Sob o pálido sol de dezembro, desvelou-se-me o arcano, O veredito inexorável que a carne, em silêncio, ocultara: Eu, que por tanto tempo fui espectador do ocaso humano, Vi, enfim, que a foice do tempo também por mim esperara. Contemplei a linfa das fontes…
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O Despertar do Efêmero Sob o pálido sol de dezembro, desvelou-se-me o arcano, O veredito inexorável que a carne, em silêncio, ocultara: Eu, que por tanto tempo fui espectador do ocaso humano, Vi, enfim, que a foice do tempo também por mim esperara. Contemplei a linfa das fontes secar sob o sólio do estio, Vi a carcaça do bruto e a fronde do carvalho ao chão, Mas em meu peito habitava um delírio, um soberbo desvio, De julgar-me eterno em meio à universal devastação. Pois agora, que o fado me fita com olhos de abismo, Não há lugar para o tédio ou o repouso do espírito; Rompeu-se o cristal da inércia, cessou o anacronismo, Sou um vulcão de urgências sob um céu infinito! Urge-me o peito por amar, com a sede dos condenados, Desejo o domínio das águas e o governo do veloz aço; Quero o riso que fere e os prantos por mim derramados, Sentir a vida vibrar antes do gélido e último abraço. Não me falem de espera, de amanhã ou de tardança, Pois o tempo é um rio que em mar de nada deságua; Quero o martírio do afeto, o triunfo e a esperança, Viver em um átimo o que o século consome em mágoa. Que a pressa me guie! Que o sangue pulse em rito de guerra, Pois descobri, entre as sombras, a luz que a alma consome: Só vive deveras quem sabe que é apenas pó desta terra, E que o sopro divino é o que escreve, no vento, o seu nome.