Frase de António Prates
Mote Num ponto do infinito há um planeta azulado, enquanto gira de lado visto de longe é bonito… Diz-se aqui no Galapito que há lá um certo animal que se faz um maioral e pensa que sabe tudo, como um grande cabeçudo da poeira Universal. Glosas I Diz o povo aqui da Corte, do lugar aonde estou, que o ponto p`ra onde vou é sítio de gente forte… Vou entrar no Pólo Norte para ver se ali medito, um prazer que necessito P`ra gelar o meu sentido e passar despercebido num ponto do infinito. II É ali no pedregulho, que aqui comparto e vejo, onde está o Alentejo que descansa sem barulho… Há quem diga que é orgulho, há quem diga que é um fado, que se leva descansado, nas guerrilhas desse mundo, e vejo que lá ao fundo há um planeta azulado. III Confesso estou curioso p`ra chegar ali depressa, onde dizem que a cabeça tem um dom meticuloso… Viajando o céu viçoso avanço no céu estrelado, o percurso é encantado, o destino bate certo, no azul que fica perto enquanto gira de lado. IV Quero ver a cor das serras, nessas grandes altitudes, e passar desertos rudes que apagam outras terras… Também quero ver as guerras, para ver se eu acredito no que a Corte me tem dito e não quero acreditar, mas olhando esse lugar, visto de longe é bonito. V Com a nave desengatada vejo algumas claridades, talvez sejam as cidades da parte mais abastada… Noto a porção anilada, durante o soar de um grito, que soa como um apito e zune como um consolo. - Vamos ver esse bajolo! Diz-se aqui no Galapito. VI A nave sorri em festa pelo azul dos oceanos, que exibem aos humanos a frescura que lhes resta… Dizem que à hora da sesta esse anil é divinal, no austro de Portugal, onde está uma cicatriz, toda a nave aponta e diz que há lá um certo animal. VII O Galapito avança mais para ver mais à vontade, e reparo outra verdade destapada por sinais... São fumaças colossais vindas lá do corpo astral… Penso que algo está mal nesses tons que não se somem, e que ficam mal ao Homem que se faz um maioral. VIII Vejo a Lua olhar p´ra mim como uma Deusa do céu, a sorrir de corpo ao léu e a benesse não tem fim… É ditosa em ser assim, com um ar sempre amorudo… Enquanto me quedo mudo, penso nessa criatura, que é pomposa na figura e pensa que sabe tudo. IX Lá em baixo oiço trovões, ou estouros das disputas, que são o maná das lutas e o pesar dos corações… Entre as muitas criações, de cariz grave e agudo, avisto o animal taludo entretido nessa esgrima, que diviso aqui de cima como um grande cabeçudo. X Finalmente, o meu destino, entre a sombra dos chaparros, nesses campos tão bizarros dos meus sonhos de menino... Dou um salto repentino para as mãos dos chaparral, onde tudo é sempre igual e onde não me sinto só, como um grãozinho de pó da poeira universal.
No pensador.ai desde