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Frase de Priscila A. Oliveira

Foi lentamente que lá cheguei. Tantas coisas desviaram minha atenção ao longo da estrada, que não percebi que escurecia mais e mais a cada passo. Notei o quanto havia me afastado apenas quando já não pude mais enxergar por andava. Olhei para trás buscando o caminho de volta, mas não o encontrei. De repente, em meio a mais absoluta e profunda escuridão, pude perceber um vulto. A pequena figura encolhia-se num canto, acuada. Aproximei-me vagarosamente, temendo que qualquer movimento mais brusco de minha parte pudesse afugentá-la. Mas, ao notar minha presença, a menininha limitou-se tão somente a levantar o olhar, acompanhando meus lentos passos em sua direção. Era muito magra e trajava farrapos. Estava descalça e seus cabelos despenteados eram tão negros que se confundiam com a escuridão do ambiente. As mãos pequeninas e trêmulas repousavam sobre os joelhos. Os dedos das mãos estavam muito feridos, como se ela houvesse tentado se agarrar com muita força a algo que lhe tivessem arrancado impiedosamente. Tinha o rosto sujo e olheiras profundas como se há muitos dias não se alimentasse. Quando parei diante daquela frágil criatura, notei que havia uma corrente presa a um de seus tornozelos e que os elos estendiam-se escuridão adentro. Ajoelhei-me diante dela. Seus olhos eram enormes, marejados de lágrimas, e me fitavam com uma dor absurdamente comovente. - Quem é você? - Estou aqui há tanto tempo que já não me lembro quem sou. - O que faz aqui sozinha? Não tem medo da solidão? - É o que mais temo – respondeu-me em fraca voz. – Ajude-me, por favor! Sua súplica era quase um sussurro, demonstrando o inegável cansaço que a acometia. Surpreendentemente, suas mãos pequeninas e feridas agarraram-se com força às minhas. Lágrimas desesperadas derramavam-se incontroláveis pela pequenina face. Em meio a soluços, levantou a cabeça procurando com seus olhos enormes o fundo dos meus. - Ajude-me! – voltou a suplicar. – Guie-me para a luz. Não quero mais estar só. - Ó, minha criança, perdoe-me, mas não sei como. Eu simplesmente não sei como...

Priscila A. Oliveira

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Pensador.com

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A gente sempre acha que vai ter mais tempo E teima em encaixar no futuro os pedaços de nossos sonhos. Mas de forma silenciosa e sorrateira Os dias, os meses, os anos passam Justamente enquanto estamos distraídos E é quando menos esperamos Que o tempo simplesmente se esgota Sem que sequer tenhamos nos dado conta daquilo que, Por puro capricho, Ele travessamente nos fez deixar para trás.

Somos orientados ao longo da vida a criar escudos contra aquilo que possa nos ferir de alguma forma - Não beba gelado, não ande descalço, saia agasalhado, alimente-se bem, Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua, dirija com cuidado, não fale com estranhos...
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Somos orientados ao longo da vida a criar escudos contra aquilo que possa nos ferir de alguma forma - Não beba gelado, não ande descalço, saia agasalhado, alimente-se bem, Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua, dirija com cuidado, não fale com estranhos... Mas há coisas que não aprendemos com nossos pais, lições que não são ensinadas nas escolas, Não há universidades, cursos de especialização, não constam de livros. Há ensinamentos que a raposa se esqueceu de ensinar ao Pequeno Príncipe. Nada, nem ninguém, nos prepara para aquilo que machuca mais - A perda de um ente querido, o fim de um relacionamento, a distância, a ausência, a saudade... Tudo aquilo que fere tanto a nossa alma... Ninguém nos ensina a superar, evitar, esquecer, relevar as dores que doem mais. Os amigos nos aconselham, os familiares nos previnem, os terapeutas nos alertam, Mas não há um guia prático de “como adormecer uma noite com o coração em prantos e acordar no dia seguinte sem qualquer rastro daquilo que nos devastou por dentro”. Passar a vida criando escudos não nos resguarda dos maiores sofrimentos. Pois se nem ao menos a rosa, cingida de pontiagudos espinhos, consegue evitar sua colheita, O que há de prevenir nosso coração de SENTIR?