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Frase de Carlos de Castro

⁠TARDES NO MONTE DE VÉNUS Naquela tarde dengosa, Dolente, Por fora quente, Por dentro ansiosa, Eram dois corpos revolvidos Nos mais loucos sentidos Da matéria vaporosa. Passava uma brisa de vento Quando ele lhe acariciou Com a mão teimosa A vegetação sedosa Que ela tinha espessa e negra, No monte de vénus, gostosa E ele, em êxtase, beijou Como se beijasse uma rosa. Ela tremeu, ansiosa, E ele osculou, Beijou, A entrada da mina dela Naquela configuração Da profundidade uterina, E com os genes atribuídos Ao seu aparelho de vida, Processou E procriou Pela primeira vez Um ser, Sem até saber Como se procedia... (Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 20-08-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)