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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

S.O.S. SAUDADE Demétrio Sena, Magé - RJ. Faça uma experiência: deixe de procurar, por um bom espaço de tempo, aquelas pessoas queridas que durante anos o aguardaram, receberam bem, mas nunca o procuraram. Você verá que bem poucas - talvez nenhuma - o procurarão para saber o que ocorreu, se você está bem, como vai sua vida. No máximo, aproveitarão encontros causais para perguntas evasivas e desculpas sobre compromissos; falta irremediável de tempo; muita ocupação. Não se desespere. Ninguém perde o que nunca teve. Perde apenas a ilusão de que teve algo, alguém, uma resposta real ao sentimento exposto. Quem ama se preocupa com o afastamento de quem sempre foi presente. Quem aprecia o que tem não quer perder, e a sensação de perda o faz reagir, para preservar. Desta forma, você apenas abrirá os olhos, e assim sendo, perceberá que o melhor é abrir mão do que na verdade nunca esteve à mão. No entanto, se uma só pessoa for ao seu encontro, fique muito feliz, e valorize muito essa chance de constatar a reciprocidade surpreendente para os nossos dias. Tempos frios, nos quais as coisas a serem conquistadas ou mantidas valem mais do que laços de amizade. Quiçá de consanguinidade. Valem tanto, que não julgamos valer a pena furtar um instante para uma ligação telefônica, uns passos ligeiros em direção às pessoas ao nosso alcance. O que ora escrevo serve para mim. Serve para todos. Existe alguém que nunca deixou de nos procurar; sempre fez questão de ser presente, mas um dia cansou da não recíproca. E o que fizemos foi deixar para lá, respaldados em nossas ocupações e prioridades. Cegos para enxergar que tempo é também amor, amizade, resgate afetivo, endossamos a máxima cruel de que tempo é dinheiro, só dinheiro, e ficamos insensíveis ao S.O.S. saudade.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.