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Frase de Affonso Manta

RETORNO O seio da mãe que simboliza o mar. Carlos Anísio Melhor: "Elegia a Hart Crane" Nasceram-me gaivotas nos sentidos E, todo iridescente, fui ao mar Buscar a vida e o sonho milenar, Que jazem sob as águas esquecidos. A luz da madrugada singular Banhava os areais adormecidos. E os ventos eram cães enlouquecidos Uivando nos rochedos ao luar. Eu me elevei ao mais alto rochedo E, sem medir efeitos e sem medo, Gritei uma palavra ritual. O mar abriu-se, então, de lado a lado. E eu mergulhei no abismo sossegado. Como quem volta ao seu país natal.

Affonso Manta

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Pensador.com

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CAIS para Gato Eu vou amanhecer no cais da aurora,
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CAIS para Gato Eu vou amanhecer no cais da aurora, Com as minhas longas roupas de fumaça, Para encontrar meu coração que chora Por todos os caminhos onde passa. Eu vou encher de vinho minha taça E bebê-la na mais propícia hora Até que o meu espírito se faça Risonho e colorido como a flora. Na popa de um saveiro luminoso, Vou conhecer o cenário formoso Das ilhas do Recôncavo singelo. E, quando na tardinha eu regressar, Verei o pôr-do-sol cair no mar De cima do fortim de São Marcelo.

ESSA MULHER Essa mulher que paira docemente Nos meus sonhos de amor tão erradios;
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ESSA MULHER Essa mulher que paira docemente Nos meus sonhos de amor tão erradios; Essa deusa de lindos amavios, Que me seduz o coração e a mente; Essa ninfa dos prados e dos rios, De rosto angelical e olhar ardente; Essa do brilho místico e inocente Estrela d'alva nos meus céus vazios; Essa que me fez cartas delicadas, Com frases meigas, como as namoradas, E com doce emoção, como as amantes; Essa mulher é como se uma aurora Me iluminasse pela vida afora E me sorrisse todos os instantes.

Quando esta noite passar Com sua carga de treva, Com seu espesso veludo
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Quando esta noite passar Com sua carga de treva, Com seu espesso veludo Que te incomoda e te enerva, A ti que estás todo preso Numa sinistra gaiola, Comendo o alpiste do dono Do mundo que te viola; Quando passar esta noite Com seus frios caracóis De angústia e desesperança, Praga dos que vivem sós, Quando esta noite passar, Faz teu canto na manhã, Que todo dia traz luz, E não é vã, não é vã...