Frase de Eduardo B. Penteado
RELENTO Eduardo B. Penteado Voltei à tal da praça molhada Onde antes eu vinha chorar Mais uma vez, só mais esta vez... A praça está úmida e o hoje é seco O beijo é soco, o amor é relento E todo o resto vai ficando assim Em Santa Teresa, em meu pensamento Em minha caneta e em torno de mim Não adianta entender o que houve Pois tudo o que foi foram nadas Um livro impresso em tinta branca Um almanaque de fotos veladas Um almanaque e meio Lábios... longe... seio. A lágrima que teima em não cair O bonde com medo de se molhar A palavra difícil de sair O silêncio, o ruído, o olhar. Um vento noturno diz a que veio. O velho lustre balança, será? Um velho ilustre a se embriagar O ilustre balança e vai desabar Assim como o céu, a chuva e o mar E eu me pergunto, pensando, a sorrir “De onde vir? Para onde partir?” “Não sei,” disse minha alma pequena “Nem sei o que trouxe você aqui.” Digo adeus ao velho, ao lustre e ao bar Fecho os olhos E deixo o vento me dispersar.
No pensador.ai desde