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Frase de Carlos de Castro

TERRA-MÃE ⁠Vinha o outono, de mansinho, a caminho. Caíam chuviscos, ariscos, na terra-mãe. Mostrava ela o interior do útero em ferida, Naquela terra mártir em sôfrego revolvida, Depois de lhe apararem os frutos do pão. Daquele pão que ela nos dá airosa, Famintos que somos do seu sabor Que mata a fome da boca e do amor, Mesmo quando a pedra nos sabe a rosa. Era aquela terra, seio esventrado Pela charrua crua e pelo arado, Que depois serena acolhia a semente Nas entranhas do húmus complacente. Parecia-me uma mãe dolorosa Que tinha acabado de dar à luz Tantos filhos de uma vez só, Que até o Criador celeste facundo Em tom suave e místico, profundo, Num clarão celeste que cega e seduz Lhe começou a chamar de forma ardilosa, Terra-mãe e avó-terra e eterna do mundo. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 16-09-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)