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Frase de João Falcão

Eu sou o nada. Eu sou o tudo. Eu sou as estrelas, universo e o mundo. Eu sou a luz. Eu sou o escuro. Eu sou o passado e sou ainda o futuro. Nada é senão eu. E tudo é por mim. Eu sou Deus. Sou mais que Deus, afinal sou empatia e não esperança. Aquela esperança falsa e vil que nos faz crianças. Crianças que esperam um abraço dum pai distante. Um abraço que virá quando a luz cega e a escuridão nos dá medo. Um pai que quando fechar os meus pequenos olhos, dar-me-á razão ao enredo, enredo esse falho, sofrido, sem sentido e profundamente desumano. Deus é, portanto, tudo o que não sou e tudo o que sou. Ele é mau, vil, bom e bondoso. Profundamente distante e incrivelmente humano. Não creio em Deus. Ele existe, porém ele não é mais nada. Nada. Não acredito nele nem nos seus fins. Não preciso dum inferno, se já o vivi. Não quero um paraíso, pois estais aí, Pai, e a sua presença deixa-me triste.

João Falcão

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