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Frase de Christinny Olivier

PÁGINA SOLTA DE UM DIÁRIO Corujas cansadas da vigília, soltam meu sono e batem suas asas... A noite que calou meu mundo passou antes do último gole de chá, mas esqueceu de devolver as vozes do dia. Os anos espreitam meu sorriso claustrofóbico na espreguiçadeira da varanda tediosa... Apontam meu destino com ares inquisitórios, acoando os solfejos d'uma prece em construção. O despertador emudeceu prematuramente a pressa matutina, não há mais brinquedos ou toalhas espalhadas pela casa; a mesa tornou-se figuração esquecida de uma novela que teve o fim antecipado. O café perdeu seu gosto, as torradinhas perderam a graça, o forno se aposentou e as tradições hibernam nos armários da copa. Agora virou rotina engasgar-me com a transparência infinda na piscina impenetrável. O relógio avança, algo em mim parte, logo dissolve. Pétalas do livro da vida somem naturalmente a cada segundo... Vou perdendo centelhas mudas a cada hora que passa! Rostos disformes contam fatos inéditos, avivam ilusões inauditas nas fotografias desgastadas por gotas de arrependimento e amargura. Poemas e cartas que nunca serão enviados acumulam na gaveta sentimental, com travas e trancas desnecessárias... Quebro todos os espelhos!... Mas o tempo ainda me acusa a cada tropeço no tapete da sala.

Christinny Olivier

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Pensador.com

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Que seja eternizado na boca da alma o sabor do fruto de um amor concreto, e exterminado todo aquele que limitou-se a meras palavras.

COMPLEXO INDÔMITO Não reconheço mais a ponte... Nem a dimensão dos sinais
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COMPLEXO INDÔMITO Não reconheço mais a ponte... Nem a dimensão dos sinais Translocados no frio Permeado em meus ossos, Instalado no estalo Dos dedos, dos passos Trôpegos nas ruas anuviadas. A razão estoura seus desígnios Em poça d'água lamacenta, Resvalando a placa de saída Que insinua-se descaradamente... Mas você não vê! Não entende! Não crê! Desfaz asas de papel Em chuva de sentenças Inexistentes. Tua carranca imersa Em teimosia, Prefere ladrar em campo abstruso, Ignorando anseios Em minhas mãos estendidas. O lago congelou... Travas enferrujaram Tantas flores secaram... A árvore renegou o fruto! Um borrão consolidou o nada... O silêncio castiga os isolados. Pessoas temerosas se encondem Do bicho homem, Em suas cadeias residenciais. Somente os lobos avançam... Tomam de assalto a cidade, Buscando sangue para Grafar heresias em muros calcificados. E você... Preso a insistência de morar no escuro, Tropeçando em musgos e raízes Remotas da natureza esquecida. No vórtice de palavras, Tudo que sinto é exposto, Como se pudesse abarcar Teu inextricável oculto. Sentimentos enclausurados Nos cacos da noite, Transitórios em teus olhos duros Relutam - lutam - relutam! Todos os augúrios da língua, Sumida a sombra De demônios despertos, Agigantados ao som da meia-noite, Tentam me afugentar Diuturnamente. Eu não temo!... Não vou recuar! Conheço bem a essência Embutida as defesas De tua casca dura, Posso ler as entrelinhas doridas Nos lábios sombrios, confusos No riso forçado, intermitente. Enxergo perfeitamente A flor branda no esmalte Dos teus dentes.