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Frase de Gustave Lebon

A necessidade de refrear os sentimentos nocivos à sociedade por meio de outros sentimentos fixados pela educação, a moral e os códigos, constitui, o princípio fundamental da vida coletiva, e nunca em vão os povos o desconhecem. Ninguém se liberta dos sentimentos que o meio social tinha penosamente conseguido conter, sem criar anarquia. O seu primeiro sintoma é um rápido acréscimo da criminalidade, tal como o que hoje se observa. É favorecido, aliás, pelo desenvolvimento do humanitarismo, que paralisa a repressão e tende, por conseguinte, a destruir todos os freios. A nossa democracia atual sofre cada vez mais as conseqüências da supressão dessas ações inibidoras, as únicas que podiam contrabalançar os sentimentos anti-sociais. O ódio das superioridades e a inveja, que se tornaram os flagelos da democracia e ameaçam a sua existência, derivam de sentimentos muito naturais para que não tivessem subsistido sempre. Mas, nas sociedades hierarquizadas do passado, a sua manifestação era difícil. Tendo adquirido hoje livre impulso, incessantemente alentados por políticos ávidos de popularidade e universitários descontentes da sua sorte, esses sentimentos exercem constantemente a sua desastrosa tirania. Devido a grande dissociação das ações inibidoras, as desagregações sociais são consequências da fraqueza que o medo determina. Diante da fraqueza dos códigos, progressivamente se criou a noção de que empregar a ameaça e a ação direta era um meio seguro de alterar leis outrora consideradas como invioláveis. Uma sociedade subsiste graças ao fator de manter a convicção hereditária de que cumpre respeitar religiosamente as leis em que se funda o organismo social. A força que os códigos possuem para impor a obediência é, sobretudo, moral. Nenhuma potência material conseguiria tornar respeitada uma lei que toda a gente violasse. Se um gênio malfazejo quisesse destruir uma sociedade em poucos dias, bastar-lhe-ia sugerir a todos os seus membros a recusa de obedecer às leis. O desastre seria muito maior do que uma invasão a que se seguisse a conquista. Um conquistador limita-se geralmente, com efeito, a mudar o nome dos senhores que dispõem do poder, mas é seu interesse conservar cuidadosamente os quadros sociais cuja ação é sempre mais eficaz do que a dos exércitos. Destruir a crença na necessidade do respeito aos freios sociais, representados pelas leis, é preparar uma revolução moral infinitamente mais perigosa do que uma revolução material. Os monumentos saqueados rapidamente se reconstroem, mas para refazer a alma de um povo, são necessários, em muitos casos, alguns séculos. Combatendo a tradição em nome do progresso e sonhando destruir a sociedade para apoderar-se das suas riquezas, os sectários não vêem que a sua vida é um estreito tecido de aquisições ancestrais, sem as quais não viveriam um só dia. Sabe-se como finalizam sempre semelhantes tentativas. Será, entretanto, preciso suportá-las ainda sem dúvida, pois só a experiência repetida instrui. As verdades formuladas nos livros são palavras vãs. Só penetram profundamente na alma dos povos ao clarão dos incêndios e ao troar dos canhões.

Gustave Lebon

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Pensador.com

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Outras frases de Gustave Lebon

Um inconveniente serio das democracias e a mediocridade crescente das pessoas que as governam. Eles so tem necessidade de uma qualidade essencial: estar prontos para falar do que quer que seja, encontrar logo argumentos plausiveis, ou pelo menos ruidosos, para responder a seus ad…
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Um inconveniente serio das democracias e a mediocridade crescente das pessoas que as governam. Eles so tem necessidade de uma qualidade essencial: estar prontos para falar do que quer que seja, encontrar logo argumentos plausiveis, ou pelo menos ruidosos, para responder a seus adversarios. Espiritos superiores, que querem refletir antes de falar, como um Newton, Pascal, fariam pobre figura nas assembleias parlamentares. Essa necessidade de falar sem refletir elimina dos Parlamentos muitas pessoas de valor solido e de julgamento ponderado. Eles são eliminados tambem por outros motivos e particularmente por que as democracias não suportam a superioridade daqueles que as governam. Em contato direto com a massa, os eleitos so podem lhe agradar lisonjeando suas paixões e suas necessidades as menos elevadas, lhes fazendo as mais inverossimeis promessas. Por seguir esse instinto tão natural que leva sempre as pessoas a buscar seus semelhantes, as massas vão aos espiritos quimericos ou mediocres e os introduzem, cada vez mais, no seio dos governos democraticos.

Nunca é demais repetir que o verdadeiro guia da pessoa é a estrutura moral edificada pelos seus ancestrais. Habituados a viver numa sociedade organizada, estabelecida sobre códigos e tradições respeitadas, nós não concebemos facilmente o estado de uma nação privada de uma tal es…
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Nunca é demais repetir que o verdadeiro guia da pessoa é a estrutura moral edificada pelos seus ancestrais. Habituados a viver numa sociedade organizada, estabelecida sobre códigos e tradições respeitadas, nós não concebemos facilmente o estado de uma nação privada de uma tal estrutura. Em nosso meio, nós só vemos frequentemente seus aspectos desagradáveis, esquecendo facilmente que uma sociedade só é possível com a condição de impor certos entraves e que o conjunto das leis, dos costumes, dos hábitos, constitui um freio aos instintos naturais de barbárie, que não desaparecem jamais inteiramente.

A característica do espírito místico consiste na atribuição de um poder misterioso a seres ou forças superiores, concretizados sob a forma de ídolos, de fetiches, de palavras e de fórmulas. O espírito místico está na base de todas as crenças religiosas e na maior parte das crenç…
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A característica do espírito místico consiste na atribuição de um poder misterioso a seres ou forças superiores, concretizados sob a forma de ídolos, de fetiches, de palavras e de fórmulas. O espírito místico está na base de todas as crenças religiosas e na maior parte das crenças políticas. Estas últimas desaparecem frequentemente se são desprovidas dos elementos místicos que são seus verdadeiros suportes. Transplantada para sentimentos e impulsos passionais que ela orienta, a lógica mística dá sua força aos grandes movimentos populares. Pessoas muito pouco dispostas a se matar racionalmente, sacrificam facilmente sua vida por um ideal místico que se tornou seu objeto de adoração. Sempre prontos a matar, para propagar sua crença, os místicos de todas as eras empregam o mesmo meio de persuasão assim que se tornam os senhores.

A mentalidade revolucionária As sociedades de cada época sempre contiveram um certo número de espíritos inquietos, instáveis e descontentes, prontos para se insurgir contra uma ordem qualquer de coisas estabelecidas. Eles agem pelo simples gosto da revolta e, se um poder mágico…
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A mentalidade revolucionária As sociedades de cada época sempre contiveram um certo número de espíritos inquietos, instáveis e descontentes, prontos para se insurgir contra uma ordem qualquer de coisas estabelecidas. Eles agem pelo simples gosto da revolta e, se um poder mágico realizasse sem nenhuma restrição seus desejos, eles também se revoltariam. Essa mentalidade especial resulta frequentemente de uma falta de adaptação do indivíduo a seu meio ou de um excesso de misticismo, mas ela pode ser também uma questão de temperamento ou provir de problemas patológicos. A necessidade de revolta apresenta graus de intensidade muito diversos, desde o simples descontentamento manifestado em palavras contra as pessoas e as coisas até à necessidade de destruí-los. Às vezes o indivíduo volta contra ele mesmo o furor revolucionário que ele não pode exercer de outra maneira. Existem radicais que, não contentes com os incêndios e bombas lançadas ao acaso nas multidões, acabam mutilando-se a si mesmos. Esses perpétuos revoltados são geralmente seres sugestionáveis cuja alma mística é obcecada por ideias fixas. Apesar da energia aparente que parecem indicar seus atos, eles têm uma personalidade fraca e são incapazes de se dominar, bem como resistir aos impulsos que os governam. O espírito místico com que são animados fornece pretextos a suas violências e os faz considerarem-se como grandes reformadores. Em tempo normal, os revoltados de cada sociedade são contidos pelas leis e pelo meio - em uma frase: por todos os freios sociais - e permanecem sem influência. Logo que se manifestam períodos de turbulências, esses freios enfraquecem e os revoltados podem dar livre curso a seus instintos. Eles se tornam então os líderes habituais dos movimentos. Pouco lhes importa o motivo da Revolução, eles se matarão para obter a bandeira vermelha, a bandeira branca ou a libertação de um país que ouviram vagamente falar. O espírito revolucionário não é sempre levado até o extremo de se tornar perigoso. Quando, ao invés de ser originado de impulsos afetivos ou místicos ele tem uma origem intelectual, ele pode se tornar uma fonte de progresso. É graças a espíritos suficientemente independentes para serem intelectualmente revolucionários que uma civilização consegue se livrar do jugo das tradições e do hábito, quando ele se torna muito pesado. As ciências, as artes, a indústria progrediram sobretudo através deles. Galileu, Lavoisier, Darwin, Pasteur foram revolucionários. Se não é necessário para um povo possuir muitos espíritos iguais a esses, lhe é indispensável ter alguns. Sem eles a humanidade habitaria ainda as primitivas cavernas. A ousadia revolucionária que leva a descobertas implica em faculdades muito raras. Ela necessita particularmente de uma independência de espírito suficiente para escapar da influência das opiniões correntes e um discernimento que permite captar, sob as analogias superficiais, as realidades que elas dissimulam. Esta forma de espírito revolucionário é criadora, enquanto que aquela examinada mais acima é destruidora. A mentalidade revolucionária poderia então ser comparada a certos estados fisiológicos úteis na vida do indivíduo, mas que, exagerados, assumem uma forma patológica sempre nociva.