Frase de Isabel Morais Ribeiro Fonseca
MORTALHA NAS ONDAS DO MAR I O mar de mortalha, embalada por gemidos Que rasgas a carne de uma dor, dilacerante Embalsas, todas as dores, entre murmúrios Desfalece, misteriosamente num total afligir II Martírio transfigurado já pela sua angústia Sombra das noites pesadas de tanta agonia De tanto pavor da morte, desaparecia longe Madrugada desses pensamentos impacientes III Os corvos voavam ao seu redor já famintos Enroscados a sua negra fria mortalha de dor Desespero, na agonia da carne que se dilacera Entre gemidos de chagas abertas sangue podre IV No chão que a carne se rasga, que se despedaça Soberbo sol, assombro das lágrimas recalcadas Dolorosa alma torcida num espasmo de angústia Amargamente numa aflitiva treva de dilaceramento V O mar observara tudo, descida subterrâneos fatais Era uma mortalha para tantos homens um túmulo Criptas infernais onde trêmula derrama a sonolenta Claridade de augúrios medonhos, indefiníveis sem VI Nomes nos túmulos tapados pelas ondas do mar - - Contemplativo.
No pensador.ai desde