Frase de Marta Chaves
ÚLTIMA HORA Sempre tive o pressentimento de que morreria alvejada por uma bala perdida. Aconteceu hoje numa cidade onde nem sequer estava, num tiroteio que não vi.
No pensador.ai desde
ÚLTIMA HORA Sempre tive o pressentimento de que morreria alvejada por uma bala perdida. Aconteceu hoje numa cidade onde nem sequer estava, num tiroteio que não vi.
No pensador.ai desde
Chego ao campo e encontro a transparência que me arrebata. A paisagem sonora nada interrompe,
Chego ao campo e encontro a transparência que me arrebata. A paisagem sonora nada interrompe, propaga-se pelo ar e regressa em eco. O dia finda na debandada dos pássaros. Durante a noite o fogo alimenta-me. O vinho e a madeira dilatam, indiferentes à estação. Deitada na cama não me falta o ar. Do céu vê-se a casa, na casa o quarto, dentro dele, eu.
Preferia não saber das ruas onde posso desfazer-me do desejo. Ir ao encontro das estátuas
Preferia não saber das ruas onde posso desfazer-me do desejo. Ir ao encontro das estátuas para me refazer do medo. A noite é pequena e cabe num gesto atirado ao ar quando se parte sem olhar para trás, nem necessidade de confirmar amor algum. Tirei tudo dos bolsos. Toquei o rosto para sentir a temperatura. Não estou morta nem vou morrer. De regresso a casa, a única certeza: que a manhã virá para reflectir a palidez, a habitual dificuldade em existir cedo.
Poderia praticar esta forma de vida que me assenta melhor do que a minha. Quero dizer
Poderia praticar esta forma de vida que me assenta melhor do que a minha. Quero dizer é dentro da cabeça e fora da minha vida que me sinto menos só. Poderia ficar aqui algum tempo deslocando a cadeira para acompanhar a trajectória do sol. Não o faço. Abro a porta que dá para a casa e deixo devoluta a vida imaginária no jardim.
É difícil aceitar o tempo que demoram vida e morte a fazerem comércio
É difícil aceitar o tempo que demoram vida e morte a fazerem comércio dentro de um corpo.