Frase de Bruno Silvestre
Quando Apagam Nossas Cores O que é ser racista, senão negar uma raiz? É pintar de vermelho o que sempre foi país. É manchar o verde das matas, o amarelo do sol, Com a tinta de um passado que lembra o futebol. Querem mudar a camisa, chamam de inovação, Mas escondem, nas entrelinhas, a verdadeira intenção. Não é só moda ou capricho de um novo figurino, É um ataque disfarçado ao orgulho do povo latino. A camisa do Brasil não é só pano ou tradição, É símbolo de resistência, é a alma da nação. Foi com ela que Pelé brilhou, e Garrincha encantou, Foi com ela que o mundo inteiro nos respeitou. E agora, cogitam o vermelho da opressão, A mesma cor que lembrou a dor da submissão. Esquecem que o vermelho, um dia, marchou com horror, Com suásticas e botas, espalhando terror. O Brasil perdeu 948 heróis na guerra contra o nazismo, E agora brincam com a cor, com um estranho cinismo. Querem homenagear vestindo o que nos feriu, Mas isso é cuspir no túmulo de quem o Brasil construiu. Racismo também é apagar símbolos de luta, É silenciar vozes negras com fala astuta. É dizer que a cor não importa, e ao mesmo tempo impor, Uma nova narrativa que só mascara a dor. A camisa verde e amarela carrega sangue e suor, De jogadores, soldados, e de quem torce com amor. É a ginga da favela, é o batuque do tambor, É o sorriso que resiste, mesmo em tempos de dor. Mudar essa cor é apagar nosso espelho, É querer vestir o Brasil com uniforme alheio. É negar que somos mistura, que somos plural, É vestir uma ferida com um pano artificial. Não aceitamos esse golpe disfarçado de tendência, Pois conhecemos bem o peso da resistência. A nossa história não se pinta de vermelho sem razão, Ela vibra em verde e amarelo no peito do cidadão. Se querem homenagear, que respeitem nossa memória, Que ouçam o povo, que estudem a história. Porque ser Brasil é carregar no coração, Mais do que uma cor: é toda uma nação.
No pensador.ai desde