Frase de Amanda Lemos
Sem punição não há justiça . A corrupção é um fato e negá-la seria blasfêmia ou ignorância. Está enraizado na peculiaridade humana aproveitar, por vezes, das situações para levar alguma vantagem sobre tal. O típico “jeitinho brasileiro” ou a malandragem tão conhecida. A corrupção não se restringe aos congressos, palanques ou eleições, mas também se encontra na vivência do dia a dia. Pessoas que cortam filas, emitem cheques sem fundos, não declaram o imposto de renda, adulteram os produtos no supermercado e outros mais diversos exemplos que comprovariam a inerente característica humana de corromper-se. Como então julgar “caixa dois”, “mensalões”, desvio do erário público e compras ilícitas, em meio a tanta hipocrisia? Um povo corrompido elege um governante corrupto, não há dúvidas. O ponto culminante, no entanto, quando se fala em corrupção é a ineficiência brasileira em julgar ilegalidades e penalizá-las da devida forma. Corrupção e impunidade, uma alimenta a outra e vice-versa. As pessoas acreditam que ficarão impunes e optam pela corrupção, e ao mesmo tempo, o ato de corrupção em si fortalece a impunidade. No caso do Brasil, em específico, que ocupa a 75ª posição no ranking das nações mais corruptas do planeta, há diversos projetos de lei que ainda tramitam no legislativo, como o projeto que torna crime o enriquecimento ilícito que, está para ser aprovado há mais de oito anos, sem contar na demanda burocrática que o julgamento de desvio de verbas acarretaria. Ou seja, embora se queira, acredito que demandará um bom tempo ainda para que corrupção de fato torne-se um crime hediondo aos "pés" da lei. Como diria o apresentador e escritor Jô Soares, "A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.” Pesquisas feitas apontam que a corrupção leva ao desperdício de capital, cerca de 5% do PIB nacional é dissipado, ou melhor, desviado para os “bolsos” ou “cuecas” políticas. A corrupção tem se revelado uma calamidade que consome o resultado do trabalho de milhões de brasileiros, envergonha o país e mancha a imagem do Brasil no exterior. Com a ditadura militar, a corrupção foi escondida e os corruptos ligados ao regime agiam impunemente. Com a redemocratização, houve um alento com a cassação de um presidente por corrupção. Mas a punição foi um ponto fora da curva. A regra nos governos seguintes continuou sendo a impunidade, que nesse sentido, só veio reforçar o grau de ineficiência dos três poderes. Como lembra o ditado latim, “Impunitas peccandi illecebra” (a impunidade estimula a delinqüência) e como diria Denis Lerrer, filósofo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, “enquanto não se colocarem os corruptos graúdos na cadeia nada vai mudar”. Ainda soma-se ao fato uma população conivente que só veio “dar a cara a tapa” agora, exigindo o fim de PEC 37 e demonstrando realmente que o povo não foge a luta e o quão essas diversas manifestações populares podem emitir uma repercussão internacional grandiosa. Soma-se ao fato também a “morosidade” da justiça. A punição existe para impor limites, refrear instintos naturais e permitir que os indivíduos possam se proteger uns dos outros. Sem punição não há justiça.
No pensador.ai desde