Frase de Diego Araujo
Último Abraço A noite caía lenta, tingindo o céu com tons de cinza e silêncio. Sentados lado a lado num banco de madeira velho, o mundo parecia distante. Ela olhava o vazio com olhos calmos — mas carregados de algo que eu não entendia. O tempo ali era feito de suspiros, de palavras não ditas, de tudo o que poderíamos ter sido. De repente, o som cortou o ar. Um estrondo seco, brutal. Dois, três tiros — sem aviso, sem motivo. O corpo dela tremeu, e caiu contra o meu. Meus braços a seguraram no reflexo de quem não quer deixar partir. O sangue manchava sua roupa, e meus olhos se enchiam de um desespero infantil. Mas ela... Ela apenas sorriu, fraco, sereno. Como se soubesse que aquele momento era tudo o que importava. — "Eu senti sua falta," ela sussurrou, com a voz de alguém que viveu dentro de mim por anos, mas que agora se despedia pela primeira vez. E então ela me abraçou. Mesmo com a vida escapando, ela me abraçou. Como se dissesse: "Eu fui real, mesmo que só em você." Seus olhos se fecharam devagar, e no silêncio que veio depois, não restou dor — apenas um espaço vazio, como o eco de uma memória antiga que enfim encontrou paz.
No pensador.ai desde