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Frase de Nuno Judice

Poema de amor para uso tópico Quero-te, como se fosses a presa indiferente, a mais obscura das amantes. Quero o teu rosto de brancos cansaços, as tuas mãos que hesitam, cada uma das palavras que sem querer me deste. Quero que me lembres e esqueças como eu te lembro e esqueço: num fundo a preto e branco, despida como a neve matinal se despe da noite, fria, luminosa, voz incerta de rosa.

Nuno Judice

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Poesia reunida (2000). | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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O que brilha no vazio dura sob o olhar divino, Gárgulas de luz,
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O que brilha no vazio dura sob o olhar divino, Gárgulas de luz, derramando a voz do rio.

Não é no horizonte que fica para além do horizonte, nem em tudo o que adivinho no fundo dos teus olhos, que o poema se inscreve. O
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Não é no horizonte que fica para além do horizonte, nem em tudo o que adivinho no fundo dos teus olhos, que o poema se inscreve. O que é infinito não tem expressão através de palavras, e o que o teu silêncio me diz não se pode traduzir neste verso que dobro para que o teu corpo me surja, do outro lado da estrofe, como se houvesse uma outra música no instante em que dois olhares se cruzam, para lá do tempo e do espaço de cada um. E é ao ouvir o que me dizes, por entre um murmúrio de regato onde se reflecte o bater de asas do anjo que rasgou o azul, que sinto a tua presença, como se a tua mão pousasse no meu ombro e me puxasse para ti.

RECEITA PARA FAZER O AZUL Se quiseres fazer azul, pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,
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RECEITA PARA FAZER O AZUL Se quiseres fazer azul, pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande, que possas levar ao lume do horizonte; depois mexe o azul com um resto de vermelho da madrugada, até que ele se desfaça; despeja tudo num bacio bem limpo, para que nada reste das impurezas da tarde. Por fim, peneira um resto de ouro da areia do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal. Se quiseres, para que as cores se não desprendam com o tempo, deita no líquido um caroço de pêssego queimado. Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez ali o puseste; e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre na superfície dourada. Podes, então, levantar a cor até à altura dos olhos, e compará-la com o azul autêntico. Ambas as cores te parecerão semelhantes, sem que possas distinguir entre uma e outra. Assim o fiz - eu, Abraão ben Judá Ibn Haim, iluminador de Loulé - e deixei a receita a quem quiser, algum dia, imitar o céu.