Frase de Frederico Brison
Se não dói não é amor, e se apenas dói, menos ainda.
No pensador.ai desde
Se não dói não é amor, e se apenas dói, menos ainda.
No pensador.ai desde
Acontece que quando se é noite não importa o quanto se amanheça, desperto debaixo do sol e caio do sonho anoitecendo os olhos de quem queira ver. Porque é justo e necessário que amanhecer seja isso, dormir ao contrário numa realidade inexistente, descansar entre os cílios do mund…
Acontece que quando se é noite não importa o quanto se amanheça, desperto debaixo do sol e caio do sonho anoitecendo os olhos de quem queira ver. Porque é justo e necessário que amanhecer seja isso, dormir ao contrário numa realidade inexistente, descansar entre os cílios do mundo que no abrir e fechar sublime te mordiscam e te arrancam as melhores partes. Que toda manhã seja noite, olhos miúdos que pouco dizem sobre o que são, bocas falsas que desejam o bom sem conhecê-lo, pernas curvadas que se alinham na correria que atropela a vida, amanhecer é noite perdida, é saltar do topo pra dentro de um vazio que nos enche, não amanheça jamais, seja noite, ainda que dia.
ESTUDO SOBRE A FALÊNCIA DO ESCRITOR escrever é religião, é seita que se aceita na crença da doutrina de um que doa seus dedos para serem apossados por demônios vocábulos, sempre prontos a te gritar poemas e contos inspirados pela fé que se devota aos santos versados matutinos. e…
ESTUDO SOBRE A FALÊNCIA DO ESCRITOR escrever é religião, é seita que se aceita na crença da doutrina de um que doa seus dedos para serem apossados por demônios vocábulos, sempre prontos a te gritar poemas e contos inspirados pela fé que se devota aos santos versados matutinos. eu perdi os lábios pra rezar, deixei de ir pra missa, não cumpri meus votos, descumpri promessas, apaguei a vela, chutei a santa, cuspi na cruz. de tanto falar, fali. e se esvaíram também as palavras, que sem mim, não se manifestam para dar consulta aos olhos que gulosos, enchiam a boca. se sou fome, culpe aos outros, que devoraram ferozmente tudo o que tinha pra comer. sobraram-me dez dedos desnutridos, que de tão abatidos tropeçam nessas últimas palavras, se arrastam lânguidos tentando alongar as frases, florear o caminho que os levarão a solitude. Frederico Brison.
E ao questionar-me sobre o porque escrevo, inquieto-me pela falta de respostas. E tal fenecimento não é nem ao menos ruim, sendo algo assim, ainda poderia-se dizer que sirvo pra alguma coisa, mesmo que não seja bom. Corro toda noite pra ver a madrugada, corro de mim mesmo, do son…
E ao questionar-me sobre o porque escrevo, inquieto-me pela falta de respostas. E tal fenecimento não é nem ao menos ruim, sendo algo assim, ainda poderia-se dizer que sirvo pra alguma coisa, mesmo que não seja bom. Corro toda noite pra ver a madrugada, corro de mim mesmo, do sono que me adormece enquanto há Sol no céu. O tornar-se claro jamais espera, o escuro é calmo, é paralítico, cego, mudo, a noite é uma criança prematura que o Olimpo aborta do alto antes que amadureça, e de cima despenca pros olhos que contam estrelas, ali morre a noite. O anoitecer é uma morte lenta, venenosa, daquelas em que se aproveitam os últimos suspiros, em que se tecem as últimas palavras, daquelas que nos dá tempo de pedir perdão a Deus ou a qualquer outro bastardo. Amanhecer, não. Amanhecer é bala perdida, é carne cortada, massacre, sangue, é faca certeira no coração. O nascer do Sol mata o tempo, toda gente vive rápido na morte do dia, pra morrer com calma na vida da noite. E é no madrugar que eu morro, faleço em questões memorizadas, me liberto de tudo o que eu deveria ter dito, do calar que me comeu, escrevo! Porque se eu não fizesse isso, não faria mais nada.
Algumas vezes, dos olhos pra dentro, não há palavra que aguente.