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Frase de Ricardo Ferraz

Eu não aprendi a perder pessoas... Eu não aprendi a perder as pessoas. Por mais que minha vida esteja no rumo que eu escolhi, ou que a própria vida escolheu para mim, eu nunca me habituei ao fato de me faltar alguém que um dia foi tão presente, tão importante. Não sei qual é a interpretação que possa passar, mas é irrelevante não deixar claro que ninguém passa por minha vida sem deixar algo. Nada é perdido, nem de fácil livramento, quando este, fez alguma coisa que me fez crescer, me deixou uma melhora no jeito de agir, de pensar, e me pôs na dúvida do porquê de tanta coisa. Nenhuma perda é pequena ou pesa menos, ou deixa de pesar. Perder é sinal de algo que conquistei, algo que esteve do meu lado, e um dia me ouviu, chorou junto, me apoiou, se apoiou em mim, trocou figurinhas do cotidiano sem ao menos pensar no futuro, sabendo sempre que, o depois é algo tão incerto, e como dizia a música, "... que o pra sempre, sempre acaba”, mas mesmo assim fechou os olhos e seguiu, porque a vida tem de ser assim, não é? Eu não aprendi a ficar sozinho, a deixar ir, dizer adeus, a seguir em frente, sabendo que um dia eu fui um elo entre o que havia de velho e o que eu trazia de novo na mala, sabendo que um dia nem precisava de mim, mas viu que eu poderia ser um acréscimo de coisas boas em sua vida. Não aprendi a ficar na casa vazia, não sei ficar em silêncio, eu não sei ficar sozinho, não sei ter o controle das coisas, não sei trocar de canal, não sei ter liberdade, não sei olhar pro lado e ver um buraco ali no canto, ver uma roupa pendurada, um fio de cabelo solto na barra do vestido esquecido no fundo do armário, um desenho bonito girando por ai. Não sei ficar sem ouvir bom dia, não sei ficar sem olhar a luzinha verde, não sei dormir mais sem dizer “durma bem, esteja em paz, onde quer que esteja”. Não sei como faz pra desentortar minhas emoções, nem sei mais onde faço caber aquilo que já não me cabe, não sei mais escrever sem carregar na tinta uma gota de lágrima atrevida qualquer. Uma pedra quebrou uma vidraça, e aquele buraco me incomodou dias até trocar o vidro quebrado, mas mesmo trocando o incômodo continuou, porque aquele vidro não é queimado do sol, mofado pelo tempo como os outros, é diferente, não é o vidro que havia, e eu gostava daquele vidro. E se apenas um vidro faz falta, imagine uma pessoa inteira? Sabe, eu não sei me levantar da mesa sozinho. Sinto falta hoje, de não ter guardado tantas coisas, não ter tido o hábito de segurar tudo aquilo por mais um tempo, para que, quem sabe um dia, eu pudesse voltar e saber que estive ali, que fiz parte do processo de evolução, e mesmo que minha memória seja fotográfica, sabendo sempre que a gente sempre deixa algo, é uma dor estranha essa de não poder mais ser parte daquilo, mesmo tendo a nítida certeza de que estive lá. Eu não sei andar sozinho, não sei soltar as cordas, as rédeas, não sei ter controle, não sei partir, não sei soltar das mãos, não sei levantar da cadeira e simplesmente ir embora sem saber o que vem de sobremesa. Há uma profundidade de ligação que o tempo criou que faz com que a pessoa se torne parte de mim, uma metade do corpo, um dependência humana que fica na pele, como o cheiro colado nas paredes que nunca sai, como o espinho no chinelo que vez ou outra você pisa e ele te lembra que ainda está ali. Pessoas são como portas abertas, e é muito difícil ter que fecha-las. Só sei que a gente chega a um ponto da vida que é preciso saber o que fazer, saber abrir mão, entender que as vidas já estão completas, que o nosso lugar não é este, que por mais que exista amor, o tempo é errado. Tenho pena de tanta coisa, pena por mim mesmo, por tudo que sonhava, e admito o quão é difícil se acostumar aos excessos e ter de lidar com a falta deles. Nunca vou te ouvir tocar o piano, nunca vou ver com você o sol se pôr no mar num domingo à tarde. Nunca vou te levar bombons no trabalho. A gente se despede dos sonhos com a leve convicção sempre, de que viveu o que pode ser vivido, nem mais, nem menos, o bastante para ser chamado de Para Sempre, o bastante para não saber ir embora. Pessoas possuem profundidade. Ricardo F. .

Ricardo Ferraz

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Ricardo Ferraz

[...] Eu te via do telhado de casa em cada estrela que havia no céu. Eu sabia que algum lugar você existia, só não pensava como nem quando viria. Só não imaginava que dentro dos seus olhos todo aquele céu de estrelas que um dia via, ali eu também veria. Ricardo F.
Dizem que quando dormimos nosso espirito vaga por ai. Eu não sou aquele tipo de pessoa que acredita em tudo, porém, também não duvido de nada. E é engraçado, quando sonhamos, é sempre uma coisa vaga, muitas vezes sem nexo. São lugares que não existem, mas que a gente tem certeza…
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Dizem que quando dormimos nosso espirito vaga por ai. Eu não sou aquele tipo de pessoa que acredita em tudo, porém, também não duvido de nada. E é engraçado, quando sonhamos, é sempre uma coisa vaga, muitas vezes sem nexo. São lugares que não existem, mas que a gente tem certeza que já esteve neles. São situações estranhas onde você vê uma pessoa, a reconhece do seu dia, mas com outro nome, você sabe que sonhou com aquilo, mas no sonho era outra coisa bem diferente. Maluco isso, né? Eu tenho uma impressão que, quando a gente sonha com alguém que gostamos muito, nosso espirito se liberta do corpo e dá um jeito de ir se encontrar com ela. Não que de fato a pessoa esteja sonhando com você também, mas é como se o seu espírito pedisse permissão para entrar dentro do espírito daquela pessoa por meros milésimos de segundos, talvez por isso, a sensação seja tão real, tão amorosa que, ao acordarmos, estejamos em completa paz, como se tudo tivesse sido de verdade. Aquela sensação de saber que sonhos vêm e vão embora, mas de alguma forma você esteve ali. Sabe, a vida é cheia de mistérios, e no fundo não precisamos entender nada, apenas vive-los como se hoje fosse nosso último dia, a nossa última chance de sermos felizes. A vida é real, o mundo é de verdade, e talvez por isso jamais podemos deixar de sonhar, de acreditar que tudo pode acontecer nessa vida, porque nunca sabemos o que poderá ser amanhã, e que sonhos, apesar de toda utopia, fazem parte de um outro plano, um plano onde só nosso sentimento mais profundo é capaz de ir. Ricardo F.