Frase de nereu alves
“C’est la vie, Rose…” Diziam os velhos em Portugal — e com razão — que as pessoas só mudam quando lhes tocam ao bolso. Tocou no bolso, muda-se o tom, o gosto, a moral. Muda-se até o santo de devoção. Gente que um dia comeu no prato do progresso, Hoje cospe nele com desprezo, Mas o tempo cobra — e às vezes cobra com juros. Porque a vida, Rose… C’est la vie. Mas nem sempre é tão “rose” assim. O Brasil viu surgir gente que foi a primeira da família a entrar numa universidade. Gente que teve casa própria, comida na mesa, dignidade no peito. Tudo isso graças a políticas sociais que agora são tratadas como esmola, Por quem se esqueceu de onde veio, ou finge que chegou lá por mérito próprio. E aí, quando o vento virou, muitos viraram juntos. Esqueceram a mão que lhes estendeu o prato. Agradeceram sorrindo, e depois votaram com o bolso. Tem também os que foram enganados — não tiveram olhos pra ver. Mas há outros… há os que viram e aplaudiram. Por conveniência. E esses são os mais perigosos. Porque enquanto um homem foi perseguido e não encontraram nada além de dignidade, O outro rasgou bandeira, traiu a pátria e ainda saiu aclamado. Vai entender… A verdade, minha cara Rose, É que inteligência não se pendura na parede. Sabedoria não se ensina em PowerPoint. E caráter… ah, caráter não muda com o câmbio do dólar. — Nereu Alves
No pensador.ai desde