Frase de Augusto Matos
Poéticas pinturas Sílabas em abstração vivem no poeta em átimos de tempo Visão num espectro de frequências luminosas da luz Há muito mais que isso: O ultravioleta, o infravermelho, os raios x e gama Quiçá a astronômica matéria escura Num prisma espiritual decanta-se o que o visual mostra O poeta enxerga tudo diferente, emana singularidade Tem a licença poética para captar o que lhe é necessário Uma mulher pode ser matéria poética sem saber, sem notar Sem se dar conta, pode ser-lhe o único bem num dia ruim Quando tudo são flores, dentre elas é a musa a mais bela E o poema pode ter uma paleta de manifestações sensoriais Matizes, nuances, gradações, luminosidade, temperatura Aromas, sonoridade, delineios na plasticidade verbal O pincel das letras, a tintura semântica, a tela semiótica As curvas da mulher se desenvolvem no manejo frasal Estrofes se seguem, como a alternar o foco anatômico Os maneirismos dela evocam interpretação literária Transformação da contemplação pela versificação Cai um véu, despe-se o manancial da inspiração As mãos imaginadas ganham amplitude de ação Face a face, já os olhos são insuficientes Um ser tão vasto e misterioso, tateado em Poesia Flertando mutuamente, num instante quase hipnótico Pode um poema já ser lido enquanto é gerado Sem papel, formatação, tinta, ou mesmo esboço prévio Mas corpo, alma e coração convertidos instantaneamente São relativos a extensão e o tamanho, densidade é tudo E nessas percepções poéticas, tudo é intensidade.
No pensador.ai desde