Frase de Cristina Corradi
A Espera de Francisco E mais uma vez Francisco abria a porta e caminhava, passando por entre os arbustos castigados pelo sol e parava debaixo de um cajueiro. Mãos calejadas, passos curtos e já cansados. Todos os dias, no mesmo horário. O sol se pondo no horizonte. Parado, fitava a estrada. Em seu rosto marcado pelo tempo, uma esperança. E lá ficava. Sem dizer uma só palavra. Com a primeira estrela, sentava-se em um banco de madeira. Em sua mente uma lembrança: - Pai! Estou voltando. Enrolava um cigarro de palha. Uma brisa suave lhe fazia companhia. Lembranças... Os primeiros passos... Os sorrisos, os abraços... A primeira namorada... Um aperto no peito, um nó na garganta. Respirava fundo. Nos olhos, lágrimas. Seu único filho... Levanta-se e trilhava o caminho de volta a casa. Acendia o fogo e preparava um café. Acomodava-se em sua cama e adormecia. Mais um dia se passava. Mas neste dia, algo novo aconteceu. Acordou com a voz do filho lhe chamando: - Pai, eu disse que voltaria. Estou aqui! Que saudades! Me dê um abraço! Francisco não se continha de tanta felicidade. Levantou-se da cama, abraçou o filho e foram caminhando até a estrada, mas desta vez, não parou debaixo do cajueiro, continuaram a caminhar pela estrada. Na manhã seguinte, a casa de Francisco permanecia fechada. Nem um som, nem um movimento, nada. No final da tarde, ninguém via Francisco sentado em seu banco de madeira olhando para a estrada. Isto não era comum. Algo estava errado. Então os vizinhos foram até a casa de Francisco, chamaram, mas nenhuma resposta. Forçaram a porta e entraram. No quarto, deitado na cama, encontraram Francisco, abraçado a foto do filho. Francisco não mais respirava. E em seu rosto, agora, um sorriso.
No pensador.ai desde