Frase de Andre Vilela Filho
PARTIDA aÁlvaro Filipe (in memorian) Na eternidade de todos os minutos eu penso em você, meu filho, como uma luz que se encontra no mar e te pressinto tão perto e tão longe tão perto que nem posso te alcançar tão longe que se faz presente. Queria entregar meu corpo para deitar sob o escuro da Terra e que suas lágrimas molhasse minha cova Jamais o inverso, não queria sofrer o inverso, a tortura da dor a dor da despedida do seu olharfechado do acenar das suas mãos na forma invisível da partida. Quando você dirigiu-se para oinfinito embargando na naus invisível do tempo Vi, debruçados sobre seu adeus, os seus amigos que não entendiam porque você partia e eu ficava. Eu que já tinha a linha do horizonte como forca. Eu entregue aos meus dias já desgastados. Por quemeus passosde pegadas profundas deveriam estar atras dos seus, filho amado? Assim sendo a natureza ficou deformada. Quis inverter, mas meus pés derretiam ao tentar te ultrapassar na linha do tempo O tempo que só pode ser conjugado dolorosamente em finitude sem fim. De vez em quando eu choro e não consigo conter minha dor por não poder tê-lo e tendo por te amar como a força do rastro de uma felicidade sem fim e começo. Uma Felicidade de filho partindo para depois voltar com um sorriso. Sempre eu te tenho junto a mim, pois és no meu amargor a chama da vida além da vida MINHAS LÁGRIMAS a Álvaro Filipe A dor da lágrima que cai nomeu peito inundando seus cabelos,meu filho, que não poderei mais acariciar. A fatalidade da perda da luz do seu olhar, meu filho, diz-me que os sons vindo do seu peito que me agradamnão mais ouvirei A dor por não poder mais lhemostrar as montanhas e as planícies tomadas pela paz da manhã, onde caminharíamos tendoseu sorrisoentregue às descobertas da sua juventude que partiu antes de dar-me seus descendentes, meus netos, que partiram sem nascer. Na presença da relva tomada pelo sereno das minhas lágrimas adormecidas em cada canto por não poder lhe mostrar os rios onde poderíamos nadar ao lado dos peixes com seus braços,meu filho, rasgando as águas que não poderá mais banhar-se. A dor por não poder lhe mostrar os caminhos que o clarão da luatornariam visíveis. A dor por não poder lhe mostrar os brilhos das estrelas, ocupando as noites que, você - meu filho, poderia fitar e desfazer a escuridão dando-mea claridade que descobririameus sonhos, porém jamais existirão devido suaausência, meu filho. Naquele dia moldado pelo sol, que nasceu sem sentido, vazio, imóvele as nuvens negras, cobrindo seu rosto,ainda de menino. Menino tornando-se homem para ensinar-me aquilo que nunca poderia te ensinar, meu filho, e agora resta te esperar.
Andre Vilela Filho
No pensador.ai desde